Alimentação escolar: uma rota para o mercado futuro
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Alimentação escolar: uma rota para o mercado futuro

Escola é, literalmente, um bom dever de casa para todas as instituições envolvidas em aquicultura, sejam elas públicas ou privadas

Hellen Kato - 05 de junho de 2019

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É notável que a aquicultura tem estado no foco do desenvolvimento, seja por parte da iniciativa privada ou de políticas conjuntas, como a criação do Comitê Técnico do Pescado, para aumento da produtividade na cadeia e da presença dos produtos no mercado. A promoção do consumo também tem crescido por meio de ações como a Semana do Peixe, em setembro; no entanto, deveria nos demandar maior atenção. Afinal, como estamos cuidando do nosso mercado consumidor?
 
É sabido que o comportamento alimentar do adulto começa a ser moldado durante a infância. Além disso, intervenções na dieta realizadas durante a idade escolar têm maior impacto na redução do risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) do que as mesmas mudanças durante a fase adulta. Assim, a escola é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de ações que incentivem a formação de hábitos alimentares que não só resultarão em uma geração mais saudável, mas também no crescimento do consumo per capita de nosso mercado futuro.
 
Muito se fala no contexto do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), uma importante estratégia para inserção do peixe, principalmente advindo da agricultura familiar, na alimentação escolar. Quando mapeado em 2012, pelo então Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o consumo de pescado já havia sido realizado em apenas 34% das escolas públicas respondentes (1.716 municípios) e apenas 2% dos recursos daquele ano operados pelo PAA haviam sido direcionados para pescados.
 
As alegações para esta baixa adesão foram dificuldade de acesso a fornecedores (54%), a falta de fornecedores/ausência de produtos no mercado (47%), risco de espinhas (47%), custo elevado (42%) e infraestrutura inadequada para armazenamento/conservação (35%).
 
A Embrapa Pesca e Aquicultura, em 2013, iniciou uma articulação em Tocantins envolvendo diversos parceiros da iniciativa pública e privada para elaborar uma estratégia de comercialização do pescado da agricultura familiar para a alimentação escolar através da prestação de serviço de um entreposto para associações de produtores, cooperativas ou colônias de pescadores. 
 
Essa solução, além de promover maior aproximação e oportunidade de negócios entre estes dois atores, atacava os principais problemas elencados para o não consumo de pescado, já que oferecia uma alternativa de fornecimento nos moldes do PAA (produto da agricultura familiar beneficiado em entreposto inspecionado) e que agradava às merendeiras, já que o produto fornecido foi a Carne Mecanicamente Separada (CMS), o que eliminava problemas com a ocorrência de espinhas, o armazenamento e o tempo de preparo.
 
Paralelamente a isso, ações de educação nutricional foram desenvolvidas tanto para alunos quanto para o corpo técnico escolar, visando ao aumento da aceitação, que nos testes foi maior que 85% para 12 receitas testadas. 
 
No entanto, é importante a consciência da cadeia que esse segmento de mercado não deve receber atenção apenas de políticas públicas como o PAA. Com um consumo per capita de pescado ainda aquém das médias mundiais, a escola é, literalmente, um bom dever de casa para todas as instituições envolvidas em aquicultura, sejam elas públicas ou privadas. É um cenário propício para promoções e incentivos, da mesma forma como direcionamos esforços ao mercado consumidor adulto. A inclusão dos pratos à base de peixe é uma estratégia para potencializar a alimentação escolar na promoção da segurança alimentar e na segurança de toda a cadeia, garantindo a saúde e a preferência dos nossos consumidores de amanhã.
 

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Sobre Hellen Kato
 
  • Pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura
 
 

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