ABCC vai ao Senado contra importação do camarão

ABCC vai ao Senado contra importação do camarão

Itamar Rocha entregou documento a Eunicio Oliveira e solicitou apoio do Senado ao pleito

07 de abril de 2017

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No mesmo dia (05/04) em que o Senado discutia em audiência pública da Comissão de Agricultura a mudança da pesca e aquicultura para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), uma delegação comandada pelo presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, teve um encontro com o líder da casa.

Eunício Oliveira, presidente do Senado, recebeu das mãos de Rocha um documento que sintetiza o que a ABCC apresenta como riscos da liberação da importação de camarões e outros crustáceos provenientes de países classificados com alto risco doenças epidemiológicas.

Um séquito de políticos acompanhou e endossou a iniciativa. Segundo a Agência Senado, Rocha estava acompanhado do deputado Moses Rodrigues (PMDB-CE), mas também encontrou acolhida no senador José Agripino Maia (DEM-RN). “Permitir a importação de camarões sem análise sanitária ou análise de riscos é uma prática temerária”, disse Maia.

A importação de camarões Pleoticus muelleri da Argentina, no entanto, já passou por uma Análise de Risco de Importação (ARI) que concluiu não haver riscos à importação daquele país – a metodologia e a experiências dos técnicos envolvidos na análise são questionadas pela ABCC, que também conseguiu barrar na justiça a exportação a partir da Argentina.

Já no caso do Equador, o processo está bem avançado. Ainda na época do extinto Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), os equatorianos solicitaram ao governo brasileiro a autorização para importação. O processo havia ficado em banho-maria até que a crise produtiva por conta da mancha branca afetou a oferta nacional.

No início de março, o secretário de defesa agropecuária, Luis Eduardo Rangel, disse ao Canal Rural que a importação não geraria riscos à produção pelo fato de autorizar a entrada do produto descascado, eviscerado e sem cabeça.

Por outro lado, fontes indicam que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, pode ter autorizado a Secretaria de Defesa Agropecuária a seguir com o processo por conta de interesses de produtores de soja de Rondônia e Mato Grosso relacionados à exportação do produto pela nova rota Manta (Equador)-Manaus. A carga sairia de Porto de Providencia, que está em licitação inclusive com possibilidade de participação de uma empresa brasileira.

Na reunião com Eunício Oliveira, o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), disse ter sido informado por Maggi que a pasta possui laudos sanitários que autorizam a importação de camarões de outros países.

De fato, um memorando do Ministério da Agricultura sobre os requisitos zoossanitários para a importação de crustáceos, datado de 10 de fevereiro, informa aos superintendentes federais agropecuários que medidas de ajuste compulsórias determinadas pelo Mapa ao Equador “estão sendo atendidas em boa parte, o que permite concluir que o produto equatoriano poderá atender aos requisitos zoossanitários estabelecidos pelo Mapa”.

A ABCC contesta essa visão.  Rocha manifestou na reunião que a Organização Internacional de Epizootias (OIE) a indústria de carcinicultura carrega consigo o risco de proliferação de agentes patógenos que afetam não apenas os crustáceos, mas principalmente a saúde dos humanos que acabariam consumindo os alimentos contaminados.

Em artigo publicado recentemente na revista Feed & Food, Rocha deu como exemplo a disseminação da mancha branca pelo mundo, a partir da Ásia. Segundo ele, o modo de transmissão foram os resíduos de plantas de processamento contendo material viral infeccioso de camarão asiático congelado reprocessado nas Américas. As vias de transmissão do vírus incluem aves, camarão de isca, camarão selvagem, embarques de camarão cru e congelado, comércio de reprodutores de camarão e pós-larvas, correntes marítimas e até mesmo a água de lastro de navios.

Na reunião, Oliveira manifestou sensibilidade ao pleito da ABCC. Aconselhou a entidade a buscar entidades técnicas responsáveis pela análise sanitária para confrontar os laudos existentes e, assim, poder contestar a autorização de importação de camarões possivelmente contaminados. “Não tem sentido importarmos camarões que vão destruir a nossa fauna e atentar contra a nossa saúde”, decretou.

O senador declarou ainda que fará uma análise “mais profunda dos documentos” para então enviar ao ministro Blairo Maggi qualquer pedido de explicações a respeito da autorização da importação de camarões e crustáceos de outros países.

Foto: Agência Senado

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