Eleição pode pôr fim ao MPA e deixar em xeque as políticas para o setor

Eleição pode pôr fim ao MPA e deixar em xeque as políticas para o setor

20 de agosto de 2014

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Crédito da imagem: José Cruz /AgenciaBrasil/Flickr




[caption id="attachment_5543" align="alignleft" width="384"]Crédito da imagem: Manu Dias/AGECOM/Flickr Crédito da imagem: Manu Dias/AGECOM/Flickr[/caption]

A corrida presidencial promete ser acirrada e as propostas dos candidatos devem afetar diretamente o setor de pescado. Marina Silva, pelo seu histórico político, tem restrições a alguns fatores do agronegócio brasileiro. Já se mostrou contra o Código Florestal como foi aprovado e, por isso mesmo, gera dúvidas nos empresários do setor. Entretanto, sua coligação corre contra o tempo para se aproximar dos produtores e reverter essa imagem de incerteza. Seu partido, até o momento não se posicionou diretamente com relação ao setor de pesca. Já Aécio Neves prometeu em campanha imposto zero para algumas fatias da cadeia agrícola. Porém, deve pôr fim ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), e com isso deixa dúvidas no ar a respeito da proximidade de sua gestão com o setor pesqueiro.


Com um segundo mandato de Dilma Rousseff na presidência, espera-se um cenário com poucas alterações, com a manutenção do MPA. 

Aécio Neves: "Quem vai definir as estratégias do setor será o presidente da República"

[caption id="attachment_5539" align="alignright" width="384"]Crédito da imagem: PSDB MG Crédito da imagem: PSDB MG[/caption]

Aécio Neves anunciou durante entrevista ao vivo ao Portal G1 que, se eleito, criará o Ministério da Infraestrutura e extinguirá o Ministério da Pesca e Aquicultura. Segundo ele, a pasta da Infraestrutura reunirá setores como transporte e energia, que atualmente possuem ministérios específicos. 

O candidato afirmou que extinguirá 16 pastas e completou: "Daria o exemplo do Ministério da Pesca. Não se justifica de forma nenhuma até porque precisamos fortalecer o Ministério da Agricultura. Em primeira mão, posso dizer que estamos estudando a criação de um forte ministério da infraestrutura. Não quero entrar em tantos detalhes. Ele trataria de investimentos em rodovias, ferrovias, energia. Não vou entrar em detalhes, mas fica essa primeira sinalização.  Quem vai definir as estratégias do setor será presidente da República, e o ministro será o executor”, afirmou. 

O candidato também pretende promover a desoneração total dos investimentos e exportações do agronegócio: “Não haverá qualquer tributação sobre as exportações agropecuárias”, disse o tucano, em entrevista Rede Brasil Atual. 

"Minas não tem mar"

O senador e ex-ministro da Pesca Marcelo Crivella (PRB) respondeu a Aécio sobre a extinção do ministério que presidiu: “Aécio não quer Ministério da Pesca porque Minas Gerais não tem mar", disse em entrevista à Folha de S. Paulo. Crivella ressaltou seu trabalho na Pasta e disse ter dobrado a produção nacional de pescado.

O ex-governador de Minas propõe, em seu programa, uma “segunda geração” Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A ideia, segundo ele, é desenvolver núcleos regionais em cada um dos biomas brasileiros, em parceria com universidade de outros institutos de pesquisa, para estudar aspectos como clima e recursos naturais, informou ao Globo Rural.


 Marina Silva: "Código Florestal não é mais florestal, é um 'Código Agrário'"

[caption id="attachment_5540" align="alignleft" width="384"]Crédito da imagem: Talita Oliveira Crédito da imagem: Talita Oliveira[/caption]

Marina Silva não foi candidata à presidência pois seu partido, a REDE Sustentável, não conseguiu se cadastrar a tempo. Então a ex-ministra seria vice de Eduardo Campos, que morreu num acidente de avião. Assim, Marina é jogada novamente a corrida presidencial.

Na avaliação do cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, em entrevista ao IG, "Marina precisa mostrar aos eleitores que tem um programa de governo que não se restringe à questão ambiental". 

Marina sempre foi focada nas causas sustentáveis. Por exemplo, em 2012, quando o Código Florestal foi aprovado, Marina comentou dizendo que foi uma “revogação de mais de 20 anos de esforço de regulação e governança ambiental no País. Temos um Código Florestal que não é mais florestal, é um 'Código Agrário'. O que está sendo avaliado é uma caixa de Pandora (caixa que, na mitologia grega, continha todos os males do mundo), com todas as maldades".


Porém para ganhar apoio do setor de agronegócios, o PSB pretende aproximar sua candidata à esfera agrária, para isso, o partido está compilando em um documento as propostas feitas há duas semanas pelo então candidato Eduardo Campos, em uma sabatina na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), propostas que Marina irá honrar.

"Marina precisa se despir de convicções individuais"

"A Marina tem que fazer um gesto: se despir de convicções individuais que ela adotou e que radicalizaram com o agronegócio. É preciso que ela subscreva um documento que se torne carta-compromisso com o setor produtivo", afirmou ao Broadcast Político Odacir Zonta (PSB-SC), ex-deputado federal, em entrevista a Exame. 


Muitos representantes do setor ainda estão descrentes, porém o diretor da consultoria Agroicone, André Nassar, acredita que a situação pode ser aliviada. “Ela ainda pode conquistar uma parcela dos produtores e adequar seu discurso às expectativas do setor. Se ela perceber que pode ganhar a eleição, acredito que terá uma preocupação maior em adaptar o discurso, sem abrir mão da necessidade de punir quem desmatou ilegalmente”, acrescentou Nassar, em entrevista a Veja.




[caption id="attachment_5542" align="alignright" width="342"]Crédito da imagem: Fernando Schmitt Veronezi Crédito da imagem: Fernando Schmitt Veronezi[/caption]

Outra face que aproxima Marina da produção agrária é o seu possível vice, Beto Albuquerque, a ligação dele com o agronegócio não é recente, as empresas do setor foram suas principais doadoras nas duas últimas campanhas, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo. A escolha do vice promete acalmar o setor.


Durante o período eleitoral, o Seafood Brasil continua acompanhando a corrida presidencial e pontuando os leitores com os principais aspectos de cada candidato para o setor de pesca nacional.


Nossa reportagem agora vai conversar com empresas e mostrar como os executivos enxergam o possível fim do Ministério da Pesca. E como as propostas de cada candidato à presidência da República podem impactar a cadeia produtiva economicamente.

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