Guerra Comercial EUA-China abre espaço para outros exportadores de tilápia

Guerra Comercial EUA-China abre espaço para outros exportadores de tilápia

31 de janeiro de 2019

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O relatório de janeiro deste ano da European Fish Price Report fez uma análise da guerra comercial entre a China e os EUA, e a tilápia é um dos produtos que sofreu grande impacto com o problema. A publicação mensal da Globefish fornece estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU).

O documento informou que a tilápia da China - maior fornecedor da espécie - ficou sujeita a um imposto de importação de 10% nos Estados Unidos a partir de 24 de setembro de 2018 e que, neste ano, aumentou para 25%.

O estudo estimou que a produção global de tilápia iria subir de 3 a 4 % em 2018, atingindo cerca de 6,3 milhões de toneladas, sendo 30% desse volume vindo da própria China.

Nos próximos anos se espera investimentos da América Latina e da África no setor público e privado para cultivos em piscicultura de tilápias, segundo o relatório. Ele ainda considera que a importância relativa dos grandes players tradicionais esteja diminuindo no mercado, uma vez que o consumo da espécie está caindo entre os norte-americanos e a demanda se tornando mais diversificada geograficamente.

Para a publicação, o apetite do consumidor pelas espécies em mercados como o México, a Arábia Saudita, o Canadá, a Costa do Marfim e a Federação Russa está impulsionando uma proporção crescente do comércio internacional.

Os valores do produto vêm com queda desde 2015, mas a demanda adicional dos mercados emergentes está ajudado a manter os preços acima dos níveis de 2017. A Globefish apurou que, apesar da interrupção resultante da imposição do novo regime tarifário nos EUA, no primeiro semestre de 2018 o preço das importações de tilápia inteira congelada foi em média de US$ 1,81 por kg, comparado a US$ 1,70 no mesmo período de 2017.

Já o filé congelado ficou estável ??em US$ 3,40 por kg. E o filé de tilápia fresco nos EUA subiram cerca de 2% no mesmo período, para US$ 6,63 por kg, em comparação ao ano retrasado.

A publicação ainda informou que uma pesquisa dos membros da Global Aquaculture Alliance (GAA) estimou a produção total de tilápia da China em 1,75 milhão de toneladas em 2018, próximo a 2017.

De acordo com o informativo, no primeiro trimestre de 2018, os volumes destinados aos EUA representaram cerca de 33% do valor total das exportações chinesas de tilápia. Essa proporção diminuiu constantemente desde 2015, quando era cerca de 50%.

Para a Globefish essa diminuição é sobretudo resultante das tarifas que os exportadores chineses enfrentam. Os mercados da América Latina, África e Oriente Médio agora absorvem uma parcela maior da produção chinesa. Os salários mais altos e o aumento da produção doméstica também estão contribuindo para uma queda geral no volume de exportações do país, enquanto a redução nos subsídios à exportação também está surtindo efeito.

Os exportadores da China também se beneficiam de descontos de IVA (IVA pago na produção, distribuição e vendas) para produtos exportados, incluindo tilápia, e uma redução nas taxas de IVA em maio de 2018 equivale a uma redução nesses descontos.

Sobre o lado americano, o estudo diz que a principal preocupação dos importadores de tilápia nos EUA é como os consumidores reagirão à medida que os custos das tarifas forem sendo repassados ??para a cadeia de fornecimento.  A demanda entre os consumidores norte-americanos vem sofrendo nos últimos anos devido à desconfiança do público sobre a espécie e será improvável que o mercado reaja bem a um aumento de preço, segundo o Globefish.

Há um número crescente de alternativas para os compradores dos EUA. A província de Taiwan, da China, e a Indonésia fornecem tilápia congelada, enquanto os filés frescos premium são fornecidos por Honduras, Colômbia e Costa Rica.

A tilápia no mundo

Já na América Latina, a publicação diz que a produção continua a aumentar com a espécie ocupando o segundo lugar em número de estabelecimentos de aquicultura no Brasil. Existem 110.072 locais no total, concentrados em particular no Sul (55,6 %) e Sudeste (23 %).

A produção brasileira de tilápia foi de 357.639 toneladas em 2017, de acordo com levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) e o resultado de 2016 já havia colocado o Brasil entre os quatro maiores produtores do mundo, atrás de China, Indonésia e Egito.



Colômbia superou Honduras e se tornou a principal fornecedora de filés frescos para os Estados Unidos da América. A análise informa que, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), Honduras exportou US$ 24,1 milhões para os EUA entre janeiro e junho de 2018, o que significa 9% a menos em relação ao mesmo período de 2017. E o Ministério da Agricultura da Colômbia está promovendo ativamente a tilápia internacionalmente e as vendas para o exterior aumentaram 37,6% nesse período.

Comissão Nacional de Aquicultura e Pesca (Conapesca) disse que a produção de aquicultura no México está crescendo a uma taxa anual de 13% (bem acima da taxa média mundial de 6%). Conforme a pesquisa, metade dos 9.000 locais de aquicultura que operam no México são explorações de tilápia. No entanto, os produtores locais estão preocupados com a “concorrência desleal” representada pelo produto importado da China. Enquanto a tilápia mexicana é vendida no mercado a 60 pesos por kg, o produto importado é vendido a 40 pesos por kg.

O estudo ainda indica que, na União Européia, o mercado para a espécie continua estagnado, e mesmo um euro mais forte contra o yuan não conseguiu estimular a demanda do importador. As importações totais da UE no primeiro semestre de 2018 foram 6% menores do que no mesmo período de 2017.

 

 

 

 

 

 

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