Guia das principais espécies de raias capturadas no SE e Sul do Brasil
Pesca

Guia das principais espécies de raias capturadas no SE e Sul do Brasil

Guia fotográfico foi produzido pelo Sindipi em parceria com o CEPSUL

Sabrina de Oliveira - 10 de junho de 2020

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Prezando não só pela sustentabilidade ambiental, mas para o desenvolvimento sustentável de nossas pescarias o Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), com colaboração do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul (CEPSUL), produziu um Guia fotográfico das principais espécies de raias capturadas no Sudeste e Sul do Brasil, nas pescarias comerciais.

Este guia foi elaborado para todos os envolvidos com a atividade pesqueira, mas direcionado aos pescadores, que rotineiramente tem contato com estas espécies. Por serem muito parecidas, o guia apresenta as principais diferenças de cada espécie de raia, conforme imagens abaixo.  
 
 
 
Imaginemos o quanto é confuso e a dificuldade dos homens no mar, como se aterem a tantos detalhes, para identificar e desmistificar essas espécies, ainda mais que após regramentos dos anos 2005 e 2014, proibiram de capturar, desembarcar e comercializar este recurso.
 
O guia veio para auxiliá-los. E a título de curiosidade, trago neste artigo informações sobre algumas das espécies apresentadas nas imagens acima.
 
As raias são espécies bentônicas (que tem contato com o fundo), são tradicionalmente capturadas como fauna acompanhante em pescarias demersais, como arrastos, emalhe e espinhel, direcionadas à outros recursos demersais que ocorrem em todas as profundidades da Plataforma Sudeste e Sul.
 
A Rioraja agassizi, conhecida como raia santa (imagem 1), atualmente seu uso e captura está proibido, tem ocorrência em toda a região Sudeste e Sul do Brasil até a Argentina (ODDONE, 2007). Ela habita desde a costa até 130 metros de profundidade (FIGUEIREDO, 1997 ODDONE et al. 2007), sua dieta basicamente é de crustáceos, tem preferência por Amphipoda, Caridea e Branchyra (MUTO et al. 2001). Seu comprimento total (CT), registrado em fêmeas foi de 59,4cm e em machos de 47,2cm. Quanto sua reprodução, esta é contínua ao longo do ano e seus filhotes nascem com 16cm (ODDONE et al.2005). 
 
Já a Tetronarce puelcha, conhecida como raia-elétrica e torpedo (imagem 2), é uma espécie com poucos dados quantitativos e seu uso e captura atualmente estão proibidos. Sua distribuição se dá em toda a região Sudeste e Sul do Brasil até o Norte da Argentina (GOMES & GADIG, 2003). Esta espécie habita desde águas costeiras até os 600 metros de profundidade, (LESSA et al. 1999, MENNI & STEHMANN 2000, STEHMANN et al. 2006). Os registros feitos com relação ao comprimento total foi de 104cm, (STEHMANN et al. 2006).
 
Outra espécie que consta em nosso guia é a Pseudobatos horkelii ou Rhinobatos horkelii (nomenclatura antiga), conhecida popularmente como raia-viola (imagem 3), atualmente seu uso e captura está proibido. Na plataforma continental dos estados de Santa Catarina e Rio grande do Sul, em épocas de outono, inverno e primavera as violas vivem entre as isóbatas de 80 e 120 metros, (NURBERG & SCHWINGEL, 2013). Quanto a sua biologia, as violas atingem um comprimento total (CT) de até 125cm (machos) e 135cm (fêmeas), sua dieta é basicamente de invertebrados bentônicos, principalmente poliquetas, crustáceos e moluscos bivalves, e de peixes (LESSA, 1982).
 
Pesquisadores como Lessa 1982, Lessa et al. 1986 Vooren 1997, Miranda & Vooren 2003, Martins & Schwingel 2003, Vooren et al. 2005, afirmam que as migrações sazonais estão relacionada com o ciclo reprodutivo da espécie, e variações de temperatura da água. 
 
Como recomendação para a conservação das espécies, a manutenção da biodiversidade marinha, além de pescarias mais sustentáveis, a coleta de dados pesqueiros, biológicos, oceanográficos, e monitoramento das áreas de ocorrência das espécies, devem ser implementadas de forma contínua em todo o Brasil, pois não há gestão e ordenamento de pesca sem informações primordiais como estas.  
 

 

Cepsul, ordenamento pesqueiro, raia santa, raia-elétrica, raia-viola, Sindipi

Sobre Sabrina de Oliveira
 
  • Oceanógrafa da Coordenadoria Técnica do Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi).
 
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