Incentivos à produção de peixes, o quê fazer?
Aquicultura

Incentivos à produção de peixes, o quê fazer?

Aumento da produção deverá obrigatoriamente estar atrelado ao mercado, seu crescimento vinculado à industrialização

Ricardo Pereira Ribeiro - 02 de setembro de 2019

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Em recente artigo o presidente da Associação Brasileira das indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo Naslavsky, no texto intitulado “O sonho que pode virar pesadelo”, apresenta um posicionamento e uma reflexão muito ponderada sobre os projetos para incentivar o aumento da produção de peixes, com ênfase na tilápia, sem as garantias de que os preços de venda serão suficientes para cobrir os custos de produção, ou se produtores conseguirão sequer processar ou vender o seu pescado, pois a sua planta produtiva não estaria geograficamente conectada a um plano de industrialização ou escoamento de safra.
 
Exatamente, essa reflexão deve ser feita pela cadeia produtiva, temos visto projetos já implantados há muitos anos revendo seus valores e conceitos devido aos aumentos dos custos de produção e redução dos preços de venda do produto final.
 
Na verdade, essa não é uma história inédita, ela tem ocorrido na evolução e consolidação de todas as grandes cadeias produtivas, o grande exemplo é a cadeia da carne de frango, onde a evolução da genética, ambiência, nutrição, processamento e mercado culminaram numa das cadeias produtivas da carne mais importantes em termos de volumes de produção e com menores margens e, mesmo assim com um crescimento muito consistente já há muitos anos.
 
A cadeia do pescado deverá seguir o mesmo caminho, ou seja, o aumento da produção deverá obrigatoriamente estar atrelado ao mercado, seu crescimento vinculado à industrialização, que é o setor responsável pelo desenvolvimento de novos produtos, o que atende as demandas do setor atacadista, varejista e ao consumidor final em última análise.
 
Sem essa vinculação, corre-se o risco de cada produtor ter que buscar o escoamento de sua produção, através de alternativas não sustentáveis, nem faz com que cada elo da cadeia possa evoluir e se profissionalizar da forma que é necessária para que a mesma se consolide. Os custos de produção, por exemplo, somente se reduzem quando cada elo da cadeia se especializa e, através do aumento da produtividade e redução dos custos fixos assim o fluxo de produção e venda se estabelece.
 
Quando todas as atividades e ações da cadeia se concentram num mesmo elemento ou ator dessa cadeia, o valor relativo da produção se eleva e a consequência disso é a redução da competitividade dentro e entre as cadeias produtivas que são as de produtos similares ou competidores diretos ou indiretos, no caso do peixe, outras proteínas, fazendo com que esses produtos tenham dificuldades em se consolidar ou mesmo se colocar nos mercados.
 
A piscicultura no Brasil, um País que importa mais de US$ 1 bilhão anualmente em pescado, tem espaço para crescer tanto no mercado interno quanto para ser exportador de peixes, pois o País reúne todas as condições para a produção, água, terra e clima, porém esse crescimento deve ser ordenado e muito bem planejado e estar ao lado de políticas públicas em pé de igualdade com outros produtos do agronegócio como ressaltou o presidente da Abipesca em sua análise.
 

Sobre Ricardo Pereira Ribeiro
 
  • Professor associado na Universidade Estadual de Maringá (UEM)
 
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