Lama não afetará piscicultura em Três Marias, indica CPRM

Lama não afetará piscicultura em Três Marias, indica CPRM

04 de fevereiro de 2019

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Conforme a lama avança pelo rio Paraopeba, o Brasil segue receoso após o desastre de 25/01 em Brumadinho (MG) - quando o rompimento da barragem #1 da Mina Córrego do Feijãooperada pela Vale -,  jorrou uma enxurrada de lama levando tudo que encontrou pela frente até desaguar no rio.

A Folha de São Paulo havia divulgado que a lama com os rejeitos de minério de ferro da barragem poderia chegar à usina hidrelétrica de Três Marias, local em que ocorre o encontro do rio Paraopeba com o rio São Francisco, entre os dias 15 e 20 de fevereiro. A informação gerou apreensão entre os piscicultores da região.

A previsão constava no boletim de monitoramento do rio Paraopeba divulgado em 28/01 pelo CPRM (Serviço Geológico do Brasil), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Porém no mesmo dia uma nova edição do boletim informativo da CPRM, avaliou que a barragem da usina hidrelétrica Retiro Baixo (está a cerca de 300 km do local do rompimento da barragem de Brumadinho) tem condições de "amortecer" a onda de rejeitos em seu reservatório, a "depender da operação da usina". Com isso a mistura de rejeitos não deve chegar a Três Marias.

 Confira o segundo boletim de hoje (28) na imagem acima

O G1 disse que o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, declarou que o volume de rejeitos vazados em Brumadinho (12 milhões de metros cúbicos) foi menor do que a tragédia de Mariana (43,7 milhões de metros cúbicos).

Segundo o site da Agência Nacional de Águas (ANA), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) divulgou na noite da quarta-feira (30/01) o 3º informativo que fornece dados da qualidade da água no Rio Paraopeba. O documento evidenciou a presença de metais em concentrações superiores àquelas estabelecidas nas regras de enquadramento do rio. E a análise feita pelas entidades estaduais e federais aponta o decaimento da concentração desses metais.

Conforme divulgou o portal Huffpost, o biólogo Hugo Fernandes-Ferreira, disse que há a esperança de que a lama seja diluída próximo à região da barragem de Três Marias. De acordo com a publicação, a lama não é toxica sob o ponto de vista químico (esses rejeitos da mineração são resultados do processamento que separa o minério de ferro bruto de suas impurezas). Porém, a quantidade de rejeitos de minério pode diminuir o oxigênio disponível na água do rio Paraopeba, matando a fauna e a flora aquáticas.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SesMG), e o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) informaram na segunda-feira (28/01) que o contato com a lama ou com os rejeitos de mineração derivados do rompimento da barragem podem ser prejudiciais à saúde.

Não pescar ou consumir peixes provenientes do Rio Paraopeba estão entre as orientações e medidas a serem adotadas na lista da SesMG, assim como não consumir alimentos que tenham tido contato com a lama, incluindo alimentos embalados, enlatados ou alimentos perecíveis (como frutas, legumes e verduras) e evitar contato com a água do Rio Paraopeba atingido pela lama, tanto para consumo (ingestão, preparação de alimentos, higiene) ou para recreação. Clique aqui para ver o boletim recente da CPRM.

Após desastre em Mariana...

Em novembro de 2015, o rompimento da barragem em Mariana (MG) jogou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro do complexo de mineração operado pela empresa Samarco, com participação da Vale. A lama afetou outros rios antes de desaguar no rio Doce, e foram cerca de 663 km até chegar ao mar em Regência (ES).

A tragédia trouxe um gigantesco dano ambiental, milhares de peixes e outros animais morreram com a contaminação da água e soterramento de nascentes. E além dos mortos, pescadores, comerciantes, o setor turístico local, agricultores e empresários sofreram e ainda sofrem efeitos colateiras do acidente.

Em novembro do ano passado, a BBC News informou que, após o desastre, a economia local da comunidade perto do rio Doce entrou em crise, pois sobreviviam da pesca e do turismo. Sem empregos, muitos trabalhadores não conseguiram retomar suas atividades como antes. E sem opções de trabalho, muitas famílias ficaram  dependentes das indenizações do desastre.

Conforme apurou a agência, os pescadores receberam R$ 100 mil de indenização (embora muitas pessoas afetadas ainda não foram indenizadas), mas esse valor varia dependendo da categoria. O dono do barco, por exemplo, tem direito de receber um valor maior do que os funcionários.

O Portal informa que o defensor público do Espírito Santo, Rafael Portella, disse que o número de requisições de indenização vai além do que já foi pago. Foram 51.400 famílias que fizeram pedido para receber reparações pelos danos causados pelo acidente e esse número inclui apenas os pescadores, mas o problema envolve também comerciantes, agricultores, artesãos, e outras pessoas afetadas.

De acordo com o veículo, a Fundação Renova (entidade criada para gerir as ações de reparação) afirma já ter pago a cerca de 7.000 pescadores a indenização e auxílio financeiro, somando quase R$ 580 milhões. A companhia ainda teria dito que "está empenhada em finalizar o processo de negociação e pagamento de indenizações o mais rápido possível."

A BBCNews divulgou em outra nota que pescadores e empresários no Estado, vítimas da tragédia, reclamavam do "excesso" de multas e fiscalização no rio Doce - que acontece desde fevereiro de 2016 - quando a Justiça proibiu a pesca na foz do rio. Nesse tempo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) teria aplicado 110 multas por pesca ilegal na área interditada.

Já o Ibama teria declarado que parte dos trabalhadores está atuando em uma área onde pesca é proibida por causa da contaminação da água com os rejeitos da barragem que se rompeu.

A atividade não é autorizada em uma área de cerca de 200 km², que vai do distrito de Degredo, em Linhares, até Barra do Riacho, em Aracruz (ES). A pesca também é proibida até a profundidade de 20 metros no mar.

Conforme apurou a publicação, inúmeros pescadores precisaram aposentar os barcos atolados em multas, pois estão sem opção de pesca na região.

Crédito da foto: CPRM

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