Maior fazenda marinha de bivalves do País começará a produção em 2021
Aquicultura

Maior fazenda marinha de bivalves do País começará a produção em 2021

Área estimada para o cultivo é equivalente a 200 hectares, investimento de R$ 420 milhões e previsão de produzir 35 mil toneladas por ano

18 de novembro de 2020

arroba publicidade
Técnicos espanhóis, da Galícia, chegarão ao Rio para montar, a 2,5 quilômetros da Praia do Peró, em Cabo Frio, a maior fazenda marinha do Brasil. A iniciativa da Mexilhões Sudeste Brasil (MSB), pretende produzir mexilhões, ostras e coquilles Saint-Jacques no local após discutir com a comunidade local e obter a cessão de uso da área junto à Secretaria de Aquicultura e Pesca do Mapa (SAP/Mapa) por 20 anos.
 
 A área estimada para o cultivo é equivalente a 200 hectares, com investimento de R$ 420 milhões e previsão de produzir 35 mil toneladas por ano.
 
O plano envolve duas colheitas anuais, para abastecer os mercados do Rio, de São Paulo e Minas Gerais com mexilhões frescos. “A área de Cabo Frio é única na América do Sul, com temperatura da água fria, clima subtropical prevalente e outras qualidades ambientais que permitem o cultivo de mexilhões de altíssima qualidade”, informa José Manuel Perez, diretor administrativo da MSB.
 
Segundo ele, as características físicas, bioquímicas e de ressurgência são parecidas com as da Galícia. Perez afirma ainda que a fazenda marinha do Peró será usada pela como modelo pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU) para a América Latina.
 
“A fazenda, que já está nas cartas náuticas, não representará risco à navegação e afastará da costa do Peró as traineiras que fazem pesca industrial e que prejudicam os pescadores artesanais de Cabo Frio. Há previsão de visita de turistas ao local de produção”, diz o texto.
 
Referência mundial na aquicultura ecológica
Com produção estimada para começar no início de 2021, a fazenda marinha do Peró “vai converter o Brasil em uma referência mundial na aquicultura ecológica”, estima Perez.
 
Conforme o executivo, o local será um porto seguro para as espécies marinhas, que terão também os microrganismos dos mexilhões para se alimentarem. A MSB também dará apoio ao projeto Bandeira Azul, levando wi-fi para a orla, e patrocinará  o Festival do Marisco do Peró.
 
O diretor da MSB explicou que as poitas (âncoras de concreto) servirão de abrigos, tipo arrecifes artificiais, para gerar uma fauna marinha com uma grande diversidade.
 
Já os pescadores artesanais serão autorizados a pescar dentro da fazenda e, com isso, deixarão de viajar quilômetros atrás dos cardumes.
 
“Será uma bênção dos céus. A pesca será no quintal de casa”, destacou. Conforme ele, o laboratório de produção de sementes em Angra dos Reis já está pronto.
 
Também já foi assinado convênio com as colônias de Cabo Frio e de Búzios para que as mulheres e filhos dos pescadores tenham renda com a pré-engorda dos mexilhões. Estima-se que a fazenda possa oferecer 500 empregos diretos e 1.500 indiretos. 
 
O projeto ainda prevê a promoção de atividades culturais de âmbito local, incentivo ao turismo gastronômico e apoio à conservação ambiental das áreas protegidas. 
 
De acordo com a empresa, a tecnologia que será usada na fazenda é inédita no Brasil e supera a cultura secular de criação de mexilhões na Espanha por adotar renovação nos conceitos de produção.
 
Fazenda deverá dobrar a produção nacional
As fazendas marinhas de Santa Catarina, que lideram o mercado nacional, produzem em média 17 mil toneladas de mexilhões, metade abaixo das 35 mil toneladas que são estimadas no Peró.
 
Já ao contrário da Espanha, onde é preciso esperar um ano, a colheita na fazenda poderá ser feita de seis em seis meses por causa das características climáticas do local.
 
A fazenda terá 36 polígonos (área reservada para a criação), sendo dois deles para ostras e coquilles. “O ponto número um da empresa será a garantia de qualidade. A escolha do local para a instalação da fazenda marinha seguiu primordialmente a sugestão dos pescadores”, explicou Perez.
 
As cordas da fazenda já deverão ser colocadas na água em janeiro e fevereiro de 2021. “Em setembro poderemos ter uma amostra dos mexilhões e podemos garantir que no Natal de 2021 os mexilhões do Peró estarão nos principais restaurantes de toda a Região Sudeste. A água do Peró não existe em lugar nenhum do Brasil, por isso a praia conquistou a Bandeira Azul”, concluiu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

, coquilles Saint-Jacques, FAO/ONU, mexilhões, Mexilhões Sudeste Brasil, MSB, ostras, Projeto Bandeira Azul

 
BaresSP publicidade 980x90 bares
 

Notícias do Pescado

 

 

 
SeafoodBrasil 2019(c) todos os direitos reservados. Desenvolvido por BR3