Óleo no Nordeste: desinformação gera preocupação em restaurantes
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Óleo no Nordeste: desinformação gera preocupação em restaurantes

Bares e restaurantes do Recife e Região Metropolitana estão divulgando em suas redes sociais a origem do pescado oferecido nos cardápios

07 de novembro de 2019

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Enquanto a Polícia Federal ainda investiga a origem das manchas de óleo presentes nas praias do Nordeste, responsáveis por provocar um dos maiores desastres ambientais no mar do País, a contaminação e a desinformação sobre a procedência do pescado nordestino se tornou outro elemento de preocupação, sobretudo para os restaurantes locais, que já indicam baixa no consumo.
 
No dia 29 de outubro, o assunto foi debatido em live no Facebook durante o programa 2+1 #EconomiaDeUmJeitoFácil do Jornal do Commercio, na ocasião, o presidente da Abrasel Pernambuco, André Araújo, e o presidente da Noronha Pescados, Guilherme Blanke, foram convidados para falar sobre a oferta de pescado no mercado do Nordeste após os registros de manchas de óleo em praias.
 
Durante o programa, ambos foram unânimes em afirmar que a desinformação é um dos grandes problemas ocasionados pelo desastre. Blanke avaliou que, por uma série de fatores de ordem natural, o Nordeste fica numa região muito pobre de produção pesqueira, o que faz em torno de 90% do peixe produzido no Brasil ser oriundo de outras regiões.
 
De acordo com ele, isso faz com que não haja riscos para as espécies mais consumidas no Brasil, como o salmão que vem do Chile ou Alasca, o bacalhau da Noruega ou Alasca, tem também a merluza que vem da Argentina, o panga do Vietnã e a polaca que também tem origem no Alasca - e da Rússia com processamento na China.
 
Também citou a segurança das espécies oriundas da aquicultura no País e que são mais populares, como o camarão de cultivo e a tilápia. “Então, se pegar todas essas espécies já tem praticamente 80% do peixe que é consumido no Brasil. Há também outras espécies que são importadas ou vêm de outras regiões que estão fora da área de incidência do óleo”, destacou.
 
Para Blanke, a desinformação é o grande problema. “Precisamos ter certeza das espécies que não apresentam riscos”. Conforme ele, ainda não é feito um esclarecimento para a população, mesmo com realizações de medidas necessárias pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), pela Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP), pelo Ibama e outros órgãos governamentais envolvidos diretamente, com foco na pesquisa científica do que de fato pode apresentar algum risco.
 
Com avanços de notícias sobre a contaminação de óleo no pescado, Blanke revelou a preocupação de alguns restaurantes que já pediram à Noronha informações sobre a procedência das espécies comercializadas. “Abastecemos o pessoal com essas informações e levasse aos consumidores, para que todo mundo tivesse a segurança necessária no consumo do peixe”, falou. 
 
No primeiro momento foram os restaurantes que procuraram a empresa de Blanke, posteriormente ele também passou a receber ligações de consumidores preocupados. E apesar do medo da presença do óleo no pescado consumido, ele afirmou que não foi visto redução grande nas vendas da empresa como um todo
 
Conforme ele, a atuação em outras áreas sustentou as vendas da empresa durante o período. “Um consumidor que vai em um restaurante ou supermercado em São Paulo, Minas ou em Brasília, não vai deixar de comprar um salmão, um bacalhau, uma polaca, ou merluza porque ele sabe que aquele produto não vem da região nordestina” exemplificou.  
 
“De uma forma nacional esse problema não está sendo explorado, mas quando você vai para restaurantes da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, existem ainda algumas dúvidas que a gente espera esclarecer. O mais importante é gerar informação para que as pessoas tenham essa segurança”, afirmou Blanke.
 
Campanha para informação
 
O presidente da Abrasel Pernambuco também frisa que a desinformação tem prejudicado muito o esclarecimento sobre a situação. “Começamos uma campanha de esclarecimento na qual estamos estimulando o próprio cliente para conversar com o proprietário ou gerente dos restaurantes para saber da procedência do pescado.”
 
De acordo com Araújo, a Abrasel também está trabalhando intensamente nessa comunicação. “E nós já orientamos também os associados para exporem cartazes com a origem dos peixes, e explicando que a pesca feita no Nordeste é considerada quase um deserto na água para efeito de pesca em grande escala."
 
Para ele, “a crise” surgiu junto com a onda de calor no Nordeste, época em que os estabelecimentos da região já estavam com estoques de pescado abastecidos. E acredita que em breve a questão da origem da pesca será esclarecida e as pessoas vão ter consciência do que se consome, porém o dano da contaminação das áreas atingidas pelo óleo é que mais lhe preocupa. “São muitas perguntas que ainda existem em relação ao que aconteceu com nossos estuários, para a gente a partir disso começar a trabalhar com a recuperação”.
 
Araújo frisou a necessidade de maior exposição dessas informações.“A gente não sabe de que forma essa camada [de óleo] penetrou [nos estuários], e estamos precisando de estudos laboratoriais que vão ser emitidos com certificação através do governo, e uma forma geral para a partir disso, vemos o comportamento de como agir daqui pra frente.”
 
Ele diz que é possível sentir o esforço realizado no combate a situação pela sociedade civil, empresas, indústrias, distribuidores e até dos próprios voluntários, porém não sente o mesmo retorno dos governantes. “Apesar de a gente ver a presença da Marinha, do Ibama, outros órgãos etc, mas não temos o sentimento. Acho que o envolvimento da população está tão grande que a há um descompasso, essa gangorra está um pouco desequilibrada e é isso que a gente quer: mais competência na comunicação por parte dos governos para realmente dividir esse fardo."
 
Ações em redes sociais
 
Conforme o portal da Abrasel, para acalmar a população atenta ao óleo no litoral nordestino, bares e restaurantes do Recife e Região Metropolitana estão divulgando em suas redes sociais a origem do pescado disponível nos seus cardápios. A maioria considera que, boa parte dos peixes e crustáceos em estoque não oferece risco à saúde por terem origem certificada em viveiros fora das áreas atingidas pela mancha.
 
No Instagram do Cia do Chopp e Cantinho do Tony, em Boa Viagem, anunciaram que o salmão, como a maioria das casas pernambucanas, vem do Chile, o bacalhau da Noruega, a pescada amarela do Norte do País e as sardinhas de Portugal. 
 
Já o chef André Saburó, através do grupo Quina do Futuro, formado pelos restaurantes Sumô, Sushi Yoshi, Tokyo´s e Taberna Japonesa Quina do Futuro, informou que a pesca oceânica acontece a mais de 700km de distância da costa, em local livre de contaminação. Nos seus estabelecimentos, Saburó usa salmão do Chile, lula da Espanha, ovas de massago e enguia dos Estados Unidos e vieiras do Canadá.
 
Regionais com queda na procura de pescado
 
Segundo o site Acorda Cidade, o comércio de peixes em Feira de Santana teve uma queda de aproximadamente 20%. No mercado do peixe do Centro de Abastecimento, os comerciantes relatam que houve um pequeno impacto e que o questionamento dos consumidores sobre a origem do produto agora é frequente. 
 
Eles também falaram que os peixes e mariscos comercializados no local não são do litoral do Nordeste e vem da região Norte, Sul e Sudeste. São pescados através de pesca profissional e fornecidos na grande maioria através de empresas.
 
O Portal do Correio informou que a presença do óleo de petróleo cru nas praias de Salvador fez com que o preço do pescado reduzisse cerca de 25% e o consumo dos clientes caísse. O prejuízo já é possível ser notado em colônias de pescadores e peixarias. O Vermelho Cioba, peixe mais procurado pelos consumidores, custava R$ 35 kg e agora é vendido pelos pescadores por R$ 25 kg.
 
Joel Antônio Gouveia contou o apuro dos pescadores da região, segundo ele, os colegas estão com dificuldades de vender mesmo com a redução do valor.
 
O peixeiro Jair Assunção possui um box próximo à colônia de pescadores do Rio Vermelho há 35 anos e é consumidor direto do pescado de Gouveia. Ele revelou que antes dessa crise começar, costumava vender entre 100 e 150 kg de peixes por semana. Hoje em dia, para conseguir vender os mesmos 100 kg, Jair  precisa reduzir o valor do kg de quase toda a mercadoria.  
 
Créditos da imagem : Pixabay

 
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