Pesca da tainha: mesmo com ajustes previstos, setor vê êxito de cotas

Pesca da tainha: mesmo com ajustes previstos, setor vê êxito de cotas

14 de setembro de 2018

arroba publicidade
O Comitê de Acompanhamento das Cotas de Captura da Tainha encerrou na quinta-feira (06/09) com saldo da temporada considerado positivo pelos participantes, conforme o relatório final preparado pelos integrantes (acesse aqui). Foi o primeiro ano em que a safra foi controlada por um sistema de cotas, padrão adotado por diversos países para monitorar e controlar os estoques pesqueiros.

O Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe) já havia manifestado publicamente suas impressões positivas neste artigo publicado no site da entidade, que resgata o histórico do movimento que culminou na criação do comitê. "A experiência deste ano expôs a complexidade intrínseca a esse sistema de controle, bem como a
necessidade de aprimoramento do mesmo, refletindo as incertezas e inseguranças que se tem em relação
ao recurso Tainha, sua biologia, ecologia, taxonomia e ao processo de implantação do Sistema de Cotas e
controles a ele relacionados", diz o texto assinado pelo Conepe.

O Comitê foi instituído pela Portaria SEAP No 53, de 25 de maio de 2018 com a finalidade de analisar os dados de produção registrados no sistema eletrônico de controle de cotas instituído, para verificar o consumo das cotas e indicar a necessidade de fechamento da pescaria quando os limites estabelecidos na Portaria Interministerial SEAP/PR/MMA nº 24/2018 fossem alcançados.

A cota para este ano foi definida a partir do "limite sustentável" de 5.677 toneladas (definido com base na avaliação de estoque da tainha realizada em 2017) com alguns descontos relativos à regionalização da captura e processamento. Para 2018, ficou em 3.417 toneladas, sendo 2.221,17 toneladas para frota de cerco e 1.196,01 toneladas para o emalhe anilhado.

Caso a cota fosse excedida, o que efetivamente aconteceu, aplicaria-se para 2019 um desconto sobre aquilo que excedesse o limite máximo sustentável definido na avaliação de estoque, de 6.197 toneladas. A safra deste ano gerou volume total de 7.209 toneladas, das quais a frota de grande escala capturou 78% em apenas sete dias e a de pequena escala diluiu mais a captura ao longo da temporada.

Apesar da pesca acima do esperado, a ONG crê no mecanismo de cotas para evitar uma super-captura que poderia ter comprometido a espécie. “Se as cotas não tivessem sido adotadas, o volume pescado em 2018 poderia ter sido muito superior pois independente de uma redução do número de barcos, eles seguiriam pescando por mais 50 dias e sem nenhum controle. Sem contar o número de barcos que entrariam na pescaria através de liminares judiciais, como ocorreu em anos anteriores” relata o diretor geral da Oceana, o oceanógrafo, Ademilson Zamboni.

Outra vantagem expressa no relatório foi o funcionamento do sistema de alerta de sobrepesca, ativado no momento em que se ultrapassou a captura da espécie. O relatório do grupo indica que apenas a frota industrial excedeu a sua cota, com uma produção 114% acida do limite estabelecido (2.221 toneladas).

A produção da pesca artesanal foi de 1.093 toneladas, cerca de 91% da cota fixada em 1.197 toneladas. “A safra de 2018 foi uma das mais produtivas nos últimos anos, os cardumes tinham grandes proporções, os peixes estavam exatamente onde a frota foi pescar, a quantidade impressionou até mesmo o setor”, declarou em nota da Oceana o presidente da Câmara Setorial do Cerco do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), Agnaldo Hilton dos Santos.

captura, cotas de captura, pesca artesanal, pesca de grande escala, pesca de pequena escala, pesca industrial, tainha, tainhômetro

 
 

Notícias do Pescado

 

 

 
SeafoodBrasil 2019(c) todos os direitos reservados. Desenvolvido por BR3