Sofia 2018: o pescado e a sustentabilidade

Sofia 2018: o pescado e a sustentabilidade

Estoques pesqueiros marinhos estão em queda contínua: a porcentagem de estoques capturados em níveis biológicos insustentáveis saiu de 10% em 1974 para 33,1% em 2015

12 de julho de 2018

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A produção global de pescado chegou a 171 milhões de toneladas em 2016, com a aquicultura representando 53% do total de pescado destinado à alimentação humana (excluindo usos como óleo de peixe e ração animal). A venda primária de pescado em todo mundo foi estimada em US$ 362 bilhões, dos quais US$ 232 bilhões foram provenientes da aquicultura.

Os dados foram divulgados na versão 2018 do relatório State of The World Fisheries and Aquaculture (Sofia), publicado a cada dois anos pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU). O documento endossa a visão corrente nos últimos anos: "com a captura relativamente estática desde o fim dos anos 1980, a aquicultura tem sido responsável pelo crescimento contínuo e impressionante no fornecimento de peixe para consumo humano", diz o texto.

No prefácio do documento, o brasileiro José Graziano da Silva, diretor geral da FAO, atribui o fato também à redução no desperdício das capturas. Ele frisa ainda a expansão do consumo per capita global, que chegou 20,3 kg em 2016. "Desde 1961 o crescimento global no consumo foi o dobro do crescimento populacional, demonstrando que o setor de pescado é crucial em atingir o objetivo da FAO para um mundo sem fome e má-nutrição."

Por outro lado, o executivo dá o tom sobre a visão da FAO a respeito do setor. "[Os desafios] incluem a necessidade de reduzir a captura de estoques pescados além da sustentabilidade biológica, em torno de 33,1%."

De acordo com a FAO, os estoques pesqueiros marinhos estão em queda contínua. A porcentagem de estoques capturados em níveis biológicos insustentáveis saiu de 10% em 1974 para 33,1% em 2015, com as maiores altas em 1970 e 1980. 

Já a fração dos estoques capturados dentro dos níveis biológicos de sustentabilidade despencou. De 90% em 1974 para 66,9% em 2015. Neste ano, a porcentagem de capturas no nível máximo de sustentabilidade chegou a 59,9%.



Sobreexplotação e recuperação

Em 2015, entre as 16 principais áreas estatísticas, os mares Mediterrâneo e Negro, Pacífico Sudeste e Atlântico Sudoeste tiveram as maiores porcentagens de peixes capturados em níveis insustentáveis, enquanto o Pacífico Centro-Leste, Pacífico Nordeste, Pacífico Noroeste, Pacífico Centro-Oeste e Sudoeste Pacífico apuraram as menores. Segundo a FAO, como exemplo, em torno de 43% dos estoques das espécies que compõem o mercado de atum foram capturados em níveis insustentáveis em 2015.

A persistência de estoques em sobrepesca é objeto de "grande preocupação", diz a FAO. As Metas de Sustentabilidade das Nações Unidas (SDGs) incluem objetivos de regular a captura, acabar a sobrepesca e restaurar níveis que possam produzir o rendimento máximo sustentável no menor tempo possível.

No entanto, parece improvável, na visão da FAO, que a pesca mundial possa reconstruir 33,1% dos estoques atualmente sobreexplotados no futuro próximo, porque é preciso de um tempo normalmente superior a dois ou três vezes o ciclo de vida das espécies.

Ainda assim, a FAO vê progressos. Cita como exemplo o crescimento da proporção de estoques capturados dentro dos níveis de sustentabilidade em determinados países. Nos Estados Unidos este patamar cresceu de 53% em 2005 para 74% em 2016. Na Austrália, subiu de 27% em 2004 para 69% em 2015.

Para atingir o nível recomendado pela FAO, de 14,4%, o documento sinaliza a necessidade de haver uma parceria efetiva entre os mundos desenvolvidos e em desenvolvimento, particularmente em coordenação de políticas, mobilização de recursos financeiros e humanos, e desenvolvimento de tecnologias avançadas.  

Este é um especial de quatro matérias sobre a versão 2018 do relatório State of The World Fisheries and Aquaculture (Sofia), publicado a cada dois anos pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU). Leia mais aqui no site Seafood Brasil e no 4º Anuário Seafood Brasil, cuja veiculação ocorrerá em agosto.

Baixe aqui a versão completa do Sofia 2018 em PDF (inglês e espanhol)

Baixe aqui o resumo do Sofia 2018 em PDF (inglês e espanhol)

Acesse aqui o site oficial do Sofia 2018.

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