Análise da Balança Comercial de Pescado 2019 – Parte 2
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Análise da Balança Comercial de Pescado 2019 – Parte 2

Item exportação

Wilson Santos - 15 de março de 2020

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Segunda parte da Análise da Balança Comercial de Pescado em 2019 - item Exportação 
 
 
 
O crescimento nas exportações de 16,8% em 2019, equivale a cerca de 44 milhões de dólares e tem como origem o pescado classificado como do Cap. 03 de Pescado - Crustáceos e Moluscos.  
 
 
As exportações classificadas como Cap.16 de Conservas e Preparações de Conservas tiveram estabilidade no geral, mas com grandes alterações nos produtos que compõem o capítulo.  
 
 
Analisando por Estado, o Ceará aparece na liderança com a Lagosta representando 65% das exportações, o Pargo Congelado ficou em 13% e os atuns nas várias formas com 12%. 
 
 
 
 
 
 
 
Pará tem como principal item o produto classificado como Peixe seco, salgado-cabeça, caudas e bexiga natatória que representa 36% das exportações, Pargo com 25%, Outros Pescados Congelados com 15% e Pescada Congelada em 7%.
 
Já em Santa Catarina aparece  com mais diversidade com Ovas de Pescado representando 21%, Conservas de atum em 15%, Raias Congeladas representam 13%, Outros Pescados Congelados também 13% e Corvina Congelado com 10%.
 
 
Lagostas 
 
O principal item nas exportações brasileiras representou 30% do total enviado ao exterior no período, um crescimento de 29% sobre o ano de 2018 nas formas de Lagostas Inteiras Congeladas, Outras Lagostas Congeladas (não Inteiras) e Lagostas Resfriadas.
 
 
Como Estado exportador em 2019, o Ceará representou 62% e Bahia 8%. Já com relação ao destino foram 62% aos USA, 17% para China e 6% para Austrália. 
 
Atuns
 
Considerando toda cadeia de atuns, as exportações brasileiras em 2019 alcançaram 13% do total.
 
A principal característica positiva desta cadeia está na diversidade, tanto das espécies capturadas (Albacora Laje, Skipjack e Albacora Bandolim), como nas regiões de capturas e processamento (regiões Nordeste e Sul), quanto nos produtos comercializados (resfriados , congelados ou enlatados) e nos mercados atingidos (interno e externo). 
 
Outro importante ponto positivo está na sustentabilidade: A metodologia da pesca usada no Brasil é reconhecida mundialmente como extremamente sustentável. 
 
 
As exportações desta cadeia podem ser divididas em três grandes segmentos: Atum Resfriado, Atum Congelado e Conservas de Atum. 
 
Atum Resfriado – Atuns das espécies Albacora Laje e Albacora Bandolim, exportados na forma de pescado resfriado. Produtos de elevada qualidade com 100% destinado aos USA onde conquistou uma fatia de mercado importante. 
 
 
 
Em 2019, atingiu preço médio FOB de exportação na faixa de U$ 8.300 a tonelada.
 
A exportação é realizada basicamente por Estados do Nordeste: 95% do Rio Grande do Norte e 3% de Pernambuco.
 
Mercado com forte foco, mostrando crescimento constante em um mercado extremamente competitivo.
 
Atum Congelado – Atuns congelados destinado basicamente para indústria de conservas. Do total exportado em 2019, a participação em peso foi de 52% da espécie Skipjack, 38% da espécie Albacora Lage, 7% da espécie Albacora Bandolim e outros em 3%. 
 
 
 
Considerando 2019, a região Sul com Rio Grande do Sul e Santa Catarina representou 54% das exportações com mais de 95% sendo da espécie Skipjack. Destaque para o Rio Grande do Sul que ficou com 94% e 6% para Santa Catarina. 
 
Este segmento do Sul é o mais tradicional, realizando exportações deste recurso por décadas e chegando em 2012 com um total de 11 mil toneladas, praticamente a mesma quantidade que está sendo exportada em 2019 por todo País. 
 
A proibição das exportações para Comunidade Européia, associada a forte queda nas capturas na região Sul-Sudeste, reduziram significativamente a atividade nos anos de 2018 e 2019.
 
Na região Nordeste, a atividade é recente, apresentando forte crescimento com grande impacto socioeconômico. Em 2019, as exportações representaram 46% no segmento de atuns congelados.
 
O Ceará domina com 94% das exportações do recurso na região.
 
O foco de mercado dos atuns congelados exportados pelo Brasil, são países com indústria de conservas de atum. Desta forma,  57% do total foi enviado para o Equador - país que se coloca como terceiro maior produtor mundial de conservas. Enquanto a Guatemala representou 25% e a Tailândia mais 4%. Os outros 14% foram enviados ao Peru, Argentina, Indonésia, Costa Rica e Vietnã.
 
Conservas de Atum
 
Embora tenha uma importante indústria de conservas, as exportações até 2018 ficaram concentradas em países do Mercosul, principalmente 
para Argentina. 
 
Observa-se uma grande oscilação para baixo no ano de 2018 indicando o impacto da crise na Argentina.
 
Até o ano retrasado as exportações eram realizadas por indústrias localizadas em Santa Catarina, mas a partir de 2019 surge a indústria do Ceará como exportadora e abrindo um novo mercado do Chile. 
 
 
Este foi o principal motivo da recuperação das exportações mostradas em 2019. No ano passado, a indústria de Santa Catarina representou 51% das exportações contra 49% da indústria do Ceará.
 
Com relação ao destino o Chile representou 47%, a Argentina com 39%, o Uruguai com 7% e outros em 7%.
 
Considerando apenas o item conservas de atum, o Brasil em 2019 foi um exportador de 2.326 tonelada assim como um importador do Equador com 2.539 toneladas. O déficit de 213 toneladas é o mais baixo no histórico de dados e com forte tendência a atingir superávit brevemente. 
 
Consolidando todas exportações de atum resfriado, atum congelado e conservas de atum, a participação por estado em dólares é colocada no gráfico abaixo mostrando a diversidade já comentada. 
 
 
Pargo Congelado 
 
Importante recurso na pauta das exportações mostrando consistência com salto em 2018 e confirmando-se em 2019.
 
As exportações foram 80% para os USA, sendo 61% do Pará e 39% do Ceará. 
 
 
 
 
Outros Pescados Congelados exceto filés 
 
É um item de grande abrangência e não sendo possível uma análise mais detalhada sobre as espécies exportadas, entretanto observa-se uma boa consistência crescendo 27% em valor no ano de 2019.
 
Produtos com 59%  destinados aos USA e 29% enviados para China. Já com relação a origem 39% foram do Pará, 29% do Ceará, 15% de Santa Catarina e 5% do Rio Grande do Sul.
 
 
Outros Pescados Frescos 
 
Outro item de grande abrangência e com grande consistência no crescimento.
 
Há uma diversificação nos Estados exportadores com a Bahia registrando 40%, o Espírito Santo com 24%, Pernambuco com 10%, Rondônia em 5%, Rio de Janeiro com 10%, Rio Grande do Norte também em 10% e o Ceará com 4%.
 
Com relação ao destino ocorre uma concentração de 92% para os USA e 5% ao Peru. 
 
 
 
Filé de Tilápia Congelado – Resfriado
 
Embora o Filé de Tilápia - tanto em dólares como em quantidade - não esteja dentro dos principais itens de exportação, o produto foi adicionado nesta análise em função da taxa de crescimento das exportações em 2019, do crescimento do recurso no mercado interno e dos avanços tecnológicos que se desenvolvem na piscicultura e especial neste recurso no Brasil.
 
 
 
No ano passado as exportações cresceram significativos 51%  e, ao analisar a tabela de preços, observa-se uma consistente redução no preço FOB que aumenta a competitividade no mercado internacional.
 
As exportações foram destinadas em 92% para mercado americano e 8% ao Canadá.
 
O Estado exportador foi 100% Mato Grosso do Sul. 
 
Peixes secos-salgados : Cabeças, Caudas e Bexiga Natatórias 
 
Produto bem específico e uma estabilidade no histórico das quantidades exportadas e com grande aumento de preço em 2019 elevando a top 5 em dólares nos produtos exportados no ano.
 
Enviado em 99% para Hong Kong com 100% vindo do Pará. 
 
 
 
Corvina Congelada 
 
A Corvina congelada foi o produto que percentualmente mais cresceu em 2019, alavancado por 90% no volume e 18% em preço. O resultado foi um salto em dólares de 124%. 
 
 
Interessante notar a diversificação dos Estados exportadores: 36% de Santa Catarina, 28% do Ceará e 28% do Rio Grande do Sul.
 
Tal diversificação também ocorre na destinação: 32% para China, 30% para USA, 14% para Gabão e 8% foi para o Congo. 
 
Espadarte Resfriado 
 
Com 100% do pescado destinado ao mercado americano. O Estado de São Paulo participou com 53% da exportação, Rio Grande do Norte em 18%, Santa Catarina com 13%, Rio Grande do Sul em 8% e Espírito Santo com 7%.
 
 
 
Peixes Vivos 
 
A exportação de peixes vivos já representa uma participação importante na pauta de produtos enviados aos exterior com grande potencial de crescimento. Como exemplo: em 2019, o valor exportado de Peixes Vivos foi maior do que a exportação de Albacora Bandolim Resfriado ou Filé de Tilápia Congelado. 
 
Mercado com características de grande número de países importadores: Taiwan em 19%, Hong Kong com 17%, China  em 15%, Japão com 10%, USA  em 9%, Alemanha ficou em 8% e mais outros 5 países representando 16%.
 
Com relação aos Estados exportadores: Pará representa 53%, Amazonas com 26%, Ceará em 8%, Espírito Santo com mais 6% e São Paulo em 5%. 
 
 
 
 
 

Créditos da Imagem: PxHere

Leia aqui a Análise da Balança Comercial de Pescado 2019 - Parte 1.
 

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Sobre Wilson Santos
 
  • Engenheiro Industrial Químico e Diretor Industrial da Coqueiro- Quaker por 25 anos. Atualmente na área de consultoria com empresa WS Consultoria. wsconsul58@gmail.com
 
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