Brasil é exemplo positivo em pesquisa sobre megafauna de água doce
Pesca

Brasil é exemplo positivo em pesquisa sobre megafauna de água doce

Barragens, pesca descontrolada, poluição, degradação do habitat, desvios de cursos de água e extração são algumas das ameaças

29 de janeiro de 2020

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É alarmante a redução dos estoques da megafauna de água doce no mundo. Em 2019, uma matéria da Wilder já destacava um estudo publicado na revista Global Change Biology, que alertava sobre o sumiço de espécies como o pirarucu, esturjões, crocodilos, tartarugas e golfinhos nos rios e lagos do planeta. E, conforme a publicação, entre 1970 e 2012, a megafauna de água doce registou um drástico declínio de 88%.
 
Agora no começo de 2020, um novo estudo na bacia do Rio Yangtze, maior da Ásia, levou os cientistas declararam oficialmente extinto o peixe espátula chinês. O peixe teria sido visto vivo pela última vez em 2003 e podia crescer até alcançar sete metros de comprimento. Habitou outrora muitos rios da China, mas a pesca descontrolada e a construção de inúmeras barragens eliminaram as suas populações, segundo o estudo.
 
Conforme o Estadão, o ecologista da Universidade de Nevada, em Reno, Zeb Hogan, foi um dos autores do estudo e há 20 anos vem testemunhando o declínio de muitas espécies.“Nós queremos ir além do simples estudo do seu estado de conservação, e buscar maneiras de melhorar a situação destes animais”, disse Hogan.
 
A megafauna de água doce
 
Para os cientistas, a definição de megafauna de água doce é todo animal vertebrado que passa uma parte essencial de sua vida em água doce ou salobra e pode pesar mais de 30 quilogramas. Eles identificaram 207 destas espécies e vasculharam a literatura científica em busca de pelo menos duas avaliações da população de cada um, tomadas em diferentes momentos no tempo.
 
Apenas 126 espécies apresentaram dados que atendiam a estes critérios. Sua lista incluía principalmente peixes, mas também mamíferos como castores, hipopótamos e criaturas de sangue frio, como crocodilos e salamandras gigantes. Segundo constataram, os peixes foram os mais profundamente afetados, com um declínio de 94%. Os peixes da China Meridional e do Sudeste Asiático sofreram as maiores perdas globais, 99%.
 
A pesca descontrolada, poluição, degradação do habitat, desvios de cursos de água e extração são algumas das ameaças citadas, embora se destaquem as barragens que infligem o dano mais letal aos peixes gigantes, muitos dos quais são migratórios.
 
De acordo com a publicação, novas pesquisas mostraram que dois terços dos maiores rios do mundo não fluem mais livremente. Centenas de barragens foram propostas ou estão em construção nas bacias de rios ricos em megafauna, como Amazonas, Congo e Mekong.
 
Mas, em alerta, já existem muitas estratégias para garantir a sobrevivência destes animais, como com o pirarucu, que chega a três metros de comprimento e respira ar. A espécie sofreu grande ameala de extinção na bacia Amazônica, de acordo com o estudo, por causa da pesca excessiva. Algumas aldeias de pescadores que fazem um manejo sustentável destas populações, porém, notaram que o número de pirarucus decuplicou.
 
Ações de grupos como o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá também colaboram com o combate à extinção destes animais. Criado em 1999, o instituto é fomentado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação e atua no desenvolvimento de atividades por meio de programas de pesquisas, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social, principalmente na região de Médio Solimões, no Amazonas.
 
 
Créditos da imagem: Flickr
 
 

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