Chineses dobram compras de pescado em 2 anos; Mapa discute inserção
Indústria

Chineses dobram compras de pescado em 2 anos; Mapa discute inserção

Pasta reúne representantes de diversos setores para debater exportações à China e à UE

23 de janeiro de 2020

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Às vésperas do Ano Novo chinês (25 de janeiro), a China anunciou que os gastos com as importações de pescado em 2019 cresceram 39% em 2019, totalizando US$ 15,3 bilhões. O dispêndio coloca os chineses apenas atrás dos Estados Unidos e à frente do Japão no ranking mundial de importadores de pescado.
 
O resultado acontece em meio a uma diminuição no ritmo de crescimento do PIB naquele país, que subiu "apenas" 6,1% no ano passado. O apetite chinês pelo pescado mundial não dá sinais de desaceleração, no entanto: as importações já haviam crescido 44% em 2018, o que mostra um dispêndio quase duas vezes maior com peixes e frutos do mar comprados em todo o mundo.
 
Atento à falta de participação do Brasil neste cenário, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebeu na quarta-feira (15), em Brasília (DF), representantes do setor da aquicultura e pesca, da indústria e produtores de várias regiões do Brasil para debater os caminhos que visam ampliar as vendas para o mercado externo e expandir o consumo de pescado pelo brasileiro. 
 
Conforme o Mapa, o foco no comércio internacional está na China e na União Europeia. Mas, a reunião deixou preocupados os representantes da tilapicultura. A China é o maior produtor de tilápia no mundo e, na visão detses representantes, não teria interesse no peixe brasileiro.
 
Na publicação em seu portal, a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) manifestou receio com o acordo. “Essa é uma ação de mão dupla e significa que há interesse da China em aumentar também as exportações de pescado para o Brasil, o que necessita de alerta com relação principalmente da tilápia”, frisou Francisco Medeiros, diretor-presidente da entidade.
 
Marilsa Fernandes, diretora-executiva da Associação dos Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP) informou à Seafood Brasil que deixou a reunião preocupada. “Como a maior produtora do mundo de tilápia, a China está interessada em outros itens de pescado, como atum, lagosta, peixes de pesca extrativa. Você sabe que não tem almoço grátis nessa história e, se Brasil for mandar peixes extrativos, eles com certeza virão aqui com a tilápia que é produzida lá”, alertou. 
 
Conforme ela, a questão foi colocada pelo presidente da PeixeSP, Emerson Esteves, que teria enfatizado a posição da tilápia nacional no acordo com os chineses. “Se a China começar a mandar tilápia para cá, acaba com o mercado produtor desse peixe no Brasil”, frisou Fernandes.
 
A melhor possibilidade, conforme Fernandes, é enviar o pescado nacional à União Europeia. “Resolvidas as questões sanitárias, nós temos como exportar para a Europa e por que então insistir nessa questão da China? Há uma clara manipulação da reunião do pessoal da indústria da pesca, e nós ficamos como o segmento produtivo extremamente preocupados com a questão”, falou. 
 
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Pesca dos Estados do Pará e Amapá, Apoliano Nascimento, é preciso intensificar as conversações sobre as restrições com o governo chinês, pois é um mercado significativo para o setor. 
 
O mesmo pensa Roberto Imai, do departamento de Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Para ele, a demanda por proteína animal por parte dos chineses, em virtude do tamanho da população e a redução de oferta devido à peste suína que assolou os rebanhos, é uma oportunidade para intensificar as vendas do produto brasileiro.
 
Vinícius Zucco Orsi também defende o acordo, para ele, a pesca e a aquicultura precisam unir esforços a fim de atingir objetivos em comum, como a inclusão de novas espécies na lista de pescado permitidos a entrar na China. E também aumentar a lista de empresas nacionais que sejam habilitadas a exportar para aquele país. “Isto fará um bem enorme para toda cadeia pesqueira nacional, inclusive acredito também que trará muitos benefícios para os peixes de cultivo, como por exemplo o tambaqui, que terá uma excelente oportunidade de entrar com mais força neste imenso mercado”, declarou.
 
Segundo Orsi, a lista com os pescado brasileiro permitidos a serem importados pela China, está totalmente defasada e não é atualizada há anos, da mesma maneira segue a lista de estabelecimentos brasileiros permitidos a processar e exportar produtos ao país. "Diversas empresas já investiram em estrutura e se adequaram a todas exigência do mercado Chinês, porém por algum motivo, as autoridades brasileiras e chinesas não se entendem, e não conseguem chegar num acordo para que novas empresas sejam habilitadas a exportar para este país”, finalizou.
 
 
Itens em discussão
 
Segundo o Mapa, na pauta sobre a China, foram discutidos entraves que dificultam a intensificação do comércio do produto. E a Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP), considera que a demora na atualização cadastral e de inclusão de empresas, bem como ampliação na lista de novas espécies por parte dos chineses são alguns dos problemas.
 
São 174 estabelecimentos de pescado chinês habilitados a exportar para o Brasil, enquanto há 97 empresas brasileiras habilitadas para vender seus produtos para a China.
 
Sobre à União Europeia, o Mapa informa que empresas armadoras (barcos) podem solicitar a habilitação à SAP para comercializar com o país, mas alerta que isso só será possível desde que estejam adequadas às instruções normativas já definidas para exportação de pescado.
 
O governo brasileiro, por intermédio do Mapa, tem agido com rapidez na devolução de todas as exigências apresentadas pela China, afirmou Ana Lúcia Viana, diretora da Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério, que participou das discussões. 
 
Notícia publicada em 16/01/2019 e atualizada em 23/01/2019.

 
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