Aquishow 2026: Abertura une discursos, novos atos e premiações
Com atividades que se estendem até o dia 11, a feira projeta movimentar R$ 130 milhões em transações comerciais
10 de junho de 2026
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A noite do primeiro dia da Aquishow Brasil 2026, realizada nesta terça-feira (10) no complexo Castelli Master, em Uberlândia (MG), foi marcada pela solenidade oficial de abertura. Com atividades que se estendem até o dia 11, a feira projeta movimentar R$ 130 milhões em transações comerciais, reunindo mais de 120 marcas expositoras e um público superior a 7.000 profissionais.
A diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (PeixeSP), Marilsa Patrício, abriu os discursos da solenidade com um posicionamento em representação aos piscicultores brasileiros. Embora tenha reconhecido a resiliência e a capacidade de investimento do setor, ela direcionou críticas à estrutura macroeconômica e administrativa do País.
"Frequentemente, quem empreende no Brasil tem a sensação de que precisa vencer não apenas os obstáculos próprios da atividade econômica, mas também aqueles criados pelo próprio sistema que deveria estimular o desenvolvimento. E aqui, preciso dizer com clareza, o modelo estatal brasileiro tem sido perverso com quem produz", afirmou.
Segundo ela, o sistema atual acumulou "burocracia, sobreposição de incompetências, insegurança jurídica e lentidão decisória". O impacto dessa assimetria competitiva foi o ponto central de seu alerta: "É perverso exigir competitividade de um produtor que enfrenta uma estrutura burocrática cada vez mais complexa. É perverso exigir eficiência de quem aguarda por anos autorizações e licenças. E ainda é mais perverso assistir à entrada de produtos importados que não enfrentam sequer uma fração das exigências sanitárias, ambientais e trabalhistas impostas ao produtor brasileiro."
Outro tema de forte preocupação abordado pela diretora foi a recente discussão conduzida no âmbito da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) a respeito da inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras. Patrício destacou o peso econômico da tilapicultura, estruturada ao longo de décadas e geradora de milhares de empregos e bilhões de reais em investimentos. "O que defendemos é que as decisões sejam tomadas com base na ciência e nos dados técnicos e na avaliação equilibrada dos impactos ambientais, sociais e econômicos", ponderou, comentando ainda a decisão recente da Conabio de instituir um grupo de trabalho para aprofundar o debate com a participação de pesquisadores e do setor privado.
O Ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, utilizou a abertura da Aquishow para o lançamento oficial do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura. O documento foi desenhado para institucionalizar as diretrizes públicas do setor para os próximos dez anos, estruturado em quatro eixos estratégicos: sustentabilidade, meio ambiente e clima; competitividade; governança e geração de dados; e inovação e assistência técnica.
"Foi um plano que a gente teve muito cuidado de ouvir as diferentes realidades, os diferentes segmentos e ramificações que existem dentro do conceito da aquicultura para que a gente pudesse ter um plano hoje que represente os anseios do segmento do nosso País", sublinhou. Além do ato do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura, a agenda ministerial na feira incluiu a assinatura de uma série de atos e ações estratégicas voltadas ao setor.
Ciente do ambiente tensionado em relação à concorrência internacional e às polêmicas ambientais em torno da produção, o chefe da pasta destacou a defesa da espécie. "Quero dizer que eu sou o maior defensor da tilápia do Brasil", declarou.
Sobre a pressão exercida pelo filé de tilápia importado do Vietnã, alvo de críticas de organizações produtos e de ações diretas e indiretas em alguns estados como Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo, o ministro destacou que o Ministério está à disposição de todo o setor para debater esse assunto, mas de forma ordenada.
Conforme ele, o debate deve ser centralizado no Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (Conape) e no recém-formalizado Comitê Temático de Tilapicultura e Competitividade. "Nós estamos aguardando todos os direcionamentos desse comitê, que foi criado com o único propósito de garantir a competitividade da tilápia do Brasil", pontuou Araújo.
A solenidade de abertura congregou lideranças políticas e representantes do setor, sendo também palco para a entrega do Prêmio Inovação Aquícola – Edição 2026 e do Prêmio Personalidades do Ano. A programação oficial da noite contou também com a Palestra Magna de Antônio Manoel Cabrera, que debateu o tema “O Brasil e os desafios da proteína animal”.
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Créditos da imagem: Seafood Brasil







