O consumidor protagonista das ações de PD&I na Embrapa
Por Leandro Kanamaru Franco de Lima, médico veterinário e pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Palmas/TO*
16 de janeiro de 2026
*Artigo escrito para o Anuário Seafood Brasil #60
A produção mundial combinada de pesca e aquicultura tem alcançado nos últimos anos, números impressionantes que refletem a crescente importância do pescado como fonte de proteína animal, especialmente num contexto em que os sistemas de produção têm se intensificado com foco em sustentabilidade e segurança alimentar. No Brasil, os valores da produção de pescado também chamaram a atenção pela sua evolução caracterizada por resultados históricos, com especial destaque para a tilapicultura. Esse avanço reflete uma busca cada vez mais frequente por alimentos nutritivos, seguros e saudáveis provenientes de sistemas produtivos resilientes.
Por outro lado, o consumo médio anual de pescado por habitante no Brasil ainda permanece abaixo da média global e do valor recomendado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Apesar da grande variação no consumo per capita entre as diferentes regiões do País, esse cenário evidencia limitações logísticas, culturais e de oferta, reforçando a necessidade de tornar o pescado mais acessível e atrativo para o consumidor contemporâneo.
Neste contexto, o consumidor está em constante mudança de comportamento. Ou seja, saber reconhecer seus hábitos para entender os anseios e as necessidades atuais de consumo representa uma estratégia importante para direcionar ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Nesta perspectiva, as prioridades deixam de ser definidas pela oferta e passam a considerar as sinalizações do próprio consumidor em relação ao que deseja adquirir nos mercados atuais, quase sempre acompanhadas por um poder de escolha que acompanha as tendências, as estratégias e os processos de inovação.
O comportamento do consumidor brasileiro em relação ao pescado tem se transformado à medida que novos hábitos alimentares e formas de consumo ganham espaço. Entre os principais critérios de escolha, a saúde é um fator decisivo, já que o peixe é reconhecido como alimento de alto valor nutricional, rico em proteínas de fácil digestão, vitaminas (complexo B e D) e minerais (cálcio, ferro, zinco, selênio), além dos ácidos graxos essenciais ômega 3 (EPA e DHA). Associada a isso, a qualidade é um requisito indispensável, sendo avaliada não apenas pela aparência e frescor do produto, mas também pela garantia de segurança sanitária e confiabilidade da origem.
O preço continua sendo um limitador importante, sobretudo em comparação às outras fontes de proteína animal de maior disponibilidade e menor custo. Entretanto, cresce a valorização do pescado que tem condições de ofertar uma boa relação custo-benefício, especialmente para os processados que aliam conveniência e praticidade ao preparo. Uma informação clara e acessível no rótulo, por exemplo, pode incluir dados de rastreabilidade e certificações que valorizam o produto e aumentam sua relevância, contribuindo para a decisão de compra.
Recentemente, as mídias sociais têm exercido papel relevante na formação de opinião e no estímulo ao consumo, seja por meio de campanhas institucionais, influenciadores digitais ou algoritmos que distribuem conteúdos associando o pescado a uma alimentação funcional, saudável e fitness. Embora isso possa também difundir informações equivocadas sobre determinado assunto baseado em conceitos precipitados, pode-se dizer que o resultado final ainda é altamente vantajoso para o consumidor moderno. Ou seja, quanto mais discussão existir sobre determinado tema, maior será a oportunidade de apresentar argumentos científicos que comprovem a veracidade das informações.
Portanto, a interação cliente-mercado atinge novos patamares que precisam ser monitorados e reconhecidos pela comunidade científica para apresentar soluções tecnológicas baseadas, também, na orientação de consumo cada vez mais exigente e conectada às tendências contemporâneas. Neste cenário, a Embrapa solidifica seu posicionamento frente ao protagonismo do consumidor para a geração de conhecimentos e tecnologias que promovam a agregação de valor a produtos, processos e serviços oriundos das cadeias agroindustriais de forma transversal e direta, atendendo às expectativas de uma sociedade mais exigente e que valoriza as questões éticas, sociais, nutricionais e ambientais.
Os novos desafios trouxeram para o ecossistema de inovação da Embrapa o consumidor, que por sua vez, se tornou protagonista da sua própria influência e do seu poder de escolha nos mercados modernos. Independentemente da cadeia produtiva, o direcionamento estratégico para futuros projetos de PD&I estará guiado por demandas que refletem a percepção positiva do consumidor em relação à inovação, saudabilidade, conveniência, qualidade, segurança, sustentabilidade, responsabilidade social, ética e bem-estar animal.

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Créditos imagem texto: Divulgação/Embrapa
Créditos imagem: Canva
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