Quaresma positiva: pescado fecha período com alta
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Quaresma positiva: pescado fecha período com alta

Balanço da Páscoa 2026 revela um consumidor atento ao custo-benefício

27 de maio de 2026

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O pescado brasileiro encerrou a Páscoa de 2026 com indicadores positivos, mesmo sob um cenário macroeconômico desafiador. De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, o incremento em volume foi de aproximadamente 10% frente a 2025. “Isso é muita coisa. Principalmente porque estamos em um ano com juros elevados, com um CDI próximo a 14%, ou seja, você não tem um incentivo a novos investimentos", pontua.
 
Um dos grandes diferenciais desta temporada foi a competitividade de itens de alto giro. O salmão, por exemplo, que figura entre as espécies mais demandadas no País, apresentou preços mais atrativos em 2026 do que no ano anterior, beneficiado pela cotação do dólar. Além disso, outros produtos, como a tilápia, tiveram preços estáveis; já itens como o filé de merluza, filé de polaca e filé de pangasius tiveram seus preços na origem estáveis, mas, com um câmbio mais favorável, ficaram mais acessíveis à população.
 
Por falar em tilápia, o período da Quaresma aqueceu a demanda por peixes, impulsionando as vendas da espécie em março, como destaca o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo o levantamento, os preços da tilápia aumentaram em todas as regiões e a maior procura concentrou-se em peixes inteiros destinados às feiras.Do lado do produtor, indicador Cepea revela que o poder de compra recuou em março, apesar do aumento nas cotações. 
 
“A Quaresma de 2026 teve resultados superiores ao mesmo período de 2025”, reforça Francisco Medeiros, diretor-presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). Conforme ele, o fato de a piscicultura trabalhar com produto processado e congelado em sua maioria, onde a tilápia representa 70% deste negócio, permite uma venda e transporte antecipados, evitando os problemas de logística comuns do período.
 
Para os produtos oriundos da pesca extrativa, o Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi) reforça que o preço, disponibilidade e conveniência são fatores que afetam diretamente as vendas de qualquer produto. Historicamente, as vendas de pescado durante a Quaresma se intensificam e em 2026 não foi diferente, mas a operação acontece em um cenário desafiador.
 
“No primeiro trimestre as vendas de conservas de sardinha e atum cresceram acima do patamar do mesmo período do ano anterior. É fato que o consumidor brasileiro já aderiu ao consumo de pescado,  mas por diversos motivos, entre eles a insegurança jurídica imposta pela sobreposição de normas e a falta de uma gestão pesqueira mais eficaz, as operações e sobretudo novos investimentos da pesca extrativa acabam inibidos”, destacou a associação através de nota oficial.
 
Na carcinicultura, contrariando a tendência histórica de queda nos preços após o maior pico de consumo do ano, o mercado iniciou o período pós-Semana Santa de 2026 com viés de alta. Enquanto em abril de 2025 o valor médio praticado foi de R$ 20,00, este ano o crustáceo atingiu a marca de R$ 21,00. Segundo Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), essa variação de pouco mais de 5% chama a atenção por ocorrer em um momento de transição, “o que normalmente deveria estar mais baixo.” De forma direta, ele pondera que o fenômeno “pode ser atribuído à queda da produção ou aumento do consumo”.
 
Em relação aos exportadores, Thamires Quinhões, diretora executiva da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), comenta que o período confirmou o papel estratégico do pescado importado no abastecimento do mercado brasileiro, quando olhamos os dados consolidados até março. “Na prática, isso significa que tivemos leve crescimento em volume e estabilidade de preço médio em dólar, o que é bastante relevante em um ambiente de renda pressionada e consumidor muito sensível a preço. Do ponto de vista dos importadores, a comercialização na Quaresma ficou em linha ou ligeiramente acima das expectativas mais conservadoras que o setor vinha adotando”, diz.
 
Esta matéria faz parte do especial pós-Semana Santa da edição #63 da revista Seafood Brasil. Clique aqui e leia a edição completa.
 
 
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Créditos da imagem: Canva

 
 
 

 
 

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