Aquatec: há 30 anos nascia o maior laboratório de pós-larvas do Brasil
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Aquatec: há 30 anos nascia o maior laboratório de pós-larvas do Brasil

Empresa viu aumentar nos últimos dez anos o número de Estados que começaram a trabalhar na atividade fora da região produtora

13 de setembro de 2019

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Idealizado há trinta anos por Ana Carolina Guerrelhas e o ex-sócio Werner Jost (hoje exclusivamente na Camanor), o projeto da Aquatec - um dos maiores laboratórios comerciais de pós-larvas (PLs) de camarão no País, começou no ano de 1989, em Barra do Cunhaú, Canguaretama (RN). O laboratório que foi criado para produzir 60 milhões de pós-larvas (PLs) de camarão por ano ganhou dimensões compatíveis com a sede de expansão do setor.
 
A produção inicial era de espécies nativas, mas a incorporação de exóticas como o  L. vannamei, que passou a ser produzida exclusivamente em 1996, desbancou as nativas e deu à espécie o protagonismo no laboratório que passou a desenvolver programas de melhoramento genético, em 1998, e teve seu apogeu em 2007 com a criação da Genearch Aquacultura Ltda, empresa de melhoramento genético exclusivo para crescimento e livre de doenças de importância econômica, como a "Mancha Branca" e  IMNV.
 
Três décadas após sua criação, Guerrelhas ainda está sob o comando da Aquatec e agora divide a função com Maria Cláudia Menezes, que se juntou ao time de sócios em 2006. Hoje o laboratório atua com dois produtos: SpeedLine AQUA para crescimento e POND para resistência que é disponibilizado desde 2017. “Este segundo produto se fez necessário no portfólio da Aquatec pela demanda crescente dele nos cultivos de viveiros abertos” explicou Ana.
O segundo produto nasceu da carência de um mercado que precisava se recuperar do vírus da "Mancha Branca", que em 2011 atingiu os Estados produtores de PE, PB e RN sul. A doença devastou viveiros inteiros e provocou a morte dos crustáceos nas áreas afetadas. Na época, a Aquatec viu taxas de sobrevivências médias despencarem de 80% para 20-30%, como falou Guerrelhas à Seafood Brasil #22. 
 
A chegada da doença trouxe perdas e aprendizagens à Aquatec, principalmente porque um ano antes, em 2010, o mercado nacional de carcinicultura vivia uma expansão, o que fez a empresa alcançar seu recorde de produção anual de PLs com 2,7 bilhões. 
 
Guerrelhas explicou que a Aquatec se deparou com uma das maiores dificuldades desde sua criação e a maior em seus últimos dez anos. A "Mancha Branca" fez surgir a necessidade de buscar animais com maior de resistência para maior sobrevivência. “A principal mudança foi o trabalho com o novo produto para resistência”, frisou. 
 
Da recuperação e aprendizagens com a doença, em 2016, o Estado do Rio Grande do Norte voltou a liderar a produção nacional de formas jovens para a carcinicultura com 48,7% de participação, segundo a Pesquisa Pecuária Municipal, do IBGE.
 
Conforme as sócias, mesmo sem apresentar crescimento na última década - o valor de produção de PLs está em cerca de 1,8 bilhões por ano -, a Aquatec tem muito o que comemorar com uma nova mudança de atuação, isso porque viu aumentar o número de Estados que começaram a trabalhar na atividade fora da região produtora. “Em 2019, estamos presentes em 13 estados (Piauí, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. e os principais por ordem decrescente são RN,PB,SE,CE que representam 78% das vendas” revelou, Guerrelhas.
 
 
Para ela, o que mais chamou a atenção nos últimos 5 anos foi o crescimento nos Estados da Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia que passaram de 12% em 2010 para 43% em 2019 nas vendas da Aquatec. Conforme Guerrelhas, a expectativa é que nos próximos dez anos o crescimento será deslocado para as regiões Sudeste e Centro-Oeste. 
 
Outro fato interessante da última década para o laboratório, é o aumento expressivo da criação de camarão vannamei em áreas interiores de baixa salinidade. “Em 2010, 30% das vendas eram para áreas com salinidades entre 2 a 10 partes por mil. Em 2019 este % aumentou para 50%”, sublinhou a sócia. Segundo ela, a mudança é causada pela interiorização do cultivo desta espécie de camarão no interior dos Estados e não mais na região litorânea.
 
De acordo com Menezes, outras conquistas que não podem ficar de fora da lista de presentes dos últimos dez anos, foi o retorno do laboratório de Diagnóstico de Doenças para a Aquatec, agora com nome de Detecte, em Natal, e também o investimento na empresa Synbiaqua Cultivos Aquáticos, em Vila Flor (RN), para cultivos intensivos. 
 
Mais informações: http://www.aquatec.com.br/

 
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