Com preços mundiais em queda, camarão também cai no Brasil mas encontra mercado ressabiado

Com preços mundiais em queda, camarão também cai no Brasil mas encontra mercado ressabiado

Preço despenca 50% sobre patamar de 2016 e 2017, motivado pela recuperação da produção e falta de apetite do mercado

04 de maio de 2018

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Em meio à queda mundial dos preços do vannamei, o Brasil assiste aos efeitos da crise de produção de 2016 e os altos preços praticados ao longo de 2017. O cenário esperado de recuperação de vendas de camarão no varejo e no food service ainda não aconteceu, segundo fontes consultadas pela Seafood Brasil.

Por outro lado, a produção segue aumentando rumo a patamares pré-2016 e o preço desabou principalmente em camarões menores. O camarão de 10g fresco inteiro na porta da fazenda custa agora em média R$ 15 o kg (no mercado formal) e R$ 40 no caso do filé processado nas indústrias (descascado e eviscerado). Entre 2016 e 2017, o patamar médio de preços foi quase o dobro disso.

Embora não seja determinante, conforme fontes consultadas, a pressão exercida pela abertura às importações do Equador tem relação com a diminuição do preço do vannamei nacional. A chegada do produto estrangeiro criou uma espécie de teto, como explica Ricardo Pedroza, diretor comercial da Camarões do Brasil, que representa fazendas como a Aquadelta, Maris e 3 Mares.

"Não se vai mais àquele preço absurdo de camarão de 10g de R$ 30 na fazenda, porque se subir muito os principais players vão importar camarão e deixarão de comprar das fazendas. O que vai regular o mercado é o preço de importação, que hoje é bem mais caro que o praticado aqui."

Segundo apurou a Seafood Brasil, o preço FOB do camarão despachado pelo Equador em fevereiro foi de US$ 12,46, enquanto em março caiu para US$ 12,35. O patamar é muito mais alto que o praticado pelo país a outros mercados, o que se explica pelo produto autorizado (filé de camarão) e por uma certa cautela com o mercado. Em média, o Equador exportou camarão inteiro a todo mundo em 2017 a um preço de US$ 6,72 o kg.

Recordes de produção, sem preço menor no varejo

O Equador colaborou com a soma de causas da redução do preço nas fazendas brasileiras, mas a recuperação da produção e um reajuste de preços com a drástica redução do mercado foram determinantes.

"O aumento muito grande de preço de 2016 para 2017 fez com que o mercado de camarão fosse reduzido a quase nada. Tínhamos uma venda muito forte no varejo e no food e essa venda hoje não acontece. Hoje sobra camarão, há indústrias com bastante camarão estocado e sem clientes para comprar", conta Pedroza, que ainda adiciona a ressaca de consumo pós-Semana Santa como agravante.

Há exceções, no entanto. A Potiporã atingiu em abril seu recorde histórico de produção e de vendas. De acordo com a diretora comercial, Christianny Diógenes Maia, foram mais de 770 toneladas processadas neste mês em apenas um turno com 310 funcionários. "A nossa produção recorde na indústria é um reflexo da fazenda. Como todo camarão que processamos é nosso, aumentou muito a produtividade da Potiporã sem a mancha branca."

Ela indica ainda que já há um efeito do investimento recente em genética feito pelo grupo na esteira da aquisição pela Samaria Camarões, em 2016. "Já há algum resultado de melhoramento genético, mas esperamos que o trabalho da genética melhore os indicadores de sobrevivência e eleve nossa produção para 1000 toneladas mensais."

O desafio agora é baixar o custo de produção, na casa dos R$ 12 no mercado formal, e fazer o preço chegar na ponta do varejo. "O varejo está começando a se recuperar, já houve recompra depois da Semana Santa, mas ainda não percebi a redução na ponta no varejo", diz Maia. Já no food, ela menciona o caso do Coco Bambu, que fez até campanha para comunicar aos clientes a redução do valor.

Seja como for a reação dos pontos de venda, nos próximos meses o preço deve se estabilizar em patamar um pouco mais alto, conforme avaliação de Pedroza. "Já começou o período de chuvas no Nordeste e a produção deve piorar. Com isso e o fim da safra na Lagoa dos Patos, teremos menos oferta de camarão e o preço vai subir para perto do importado."

A pesca de camarão na Lagoa dos Patos, que começou em fevereiro e vai até 30 de maio, registrou recordes nos últimos três meses. Para Pedroza, isso contribuiu para tirar compradores de camarão que rodavam indústrias no Sul e Sudeste com produto das fazendas nordestinas.

A visão contrasta com a de Maia, que enxerga uma estabilização dos preços em patamar mais baixo. Segundo ela, a situação exige uma união dos atores da cadeia. "É uma ótima oportunidade para incentivar o consumo de camarão no Brasil. Tanto o food service quanto o varejo precisam se empenhar nisso, equalizando os preços de acordo com a baixa dos preços nas fazendas e indústrias para aumentarmos o consumo. Este é o desafio de toda a cadeia produtiva", conclui.

Crédito da foto: Divulgação/Potiporã/Christianny Diógenes Maia

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