A água que nos une
Por Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel)*
19 de dezembro de 2025
*Artigo escrito para o Anuário Seafood Brasil #60
A água é um bem essencial, insubstituível e finito. No Brasil, apesar de sermos privilegiados com grandes reservas hídricas, enfrentamos crises recorrentes de abastecimento e qualidade. Como presidente da Abrasel, vejo com preocupação o avanço da escassez de acesso, ao mesmo tempo, com esperança o papel que o setor de alimentação fora do lar pode desempenhar na construção de uma cultura de uso consciente.
Bares e restaurantes estão entre os estabelecimentos que mais dependem da água em suas operações. Da produção ao estoque, da cozinha ao banheiro, para limpeza e preparo dos alimentos, tudo passa por esse recurso. E é justamente por isso que temos uma responsabilidade ampliada — e uma chance concreta de liderar mudanças.
A adoção de práticas mais sustentáveis visando a eficiência hídrica já é realidade em muitos negócios. Estabelecimentos vêm investindo em tecnologias que reduzem o consumo desse recurso, como torneiras com temporizador, descargas acopladas com uso de água cinza, sistemas de captação de água da chuva para fins não potáveis, caixa de gordura nas pias e uso de equipamentos mais eficientes. Soma-se a isso a capacitação de equipes para evitar desperdícios. São ações que não apenas preservam o meio ambiente, mas também ajudam a reduzir custos operacionais.
Há também iniciativas voltadas à gestão inteligente da água, como o monitoramento do consumo em tempo real, a substituição de sistemas hidráulicos antigos por modelos mais econômicos e o uso de produtos de limpeza biodegradáveis, que exigem menos enxágue. Em algumas cidades, bares e restaurantes têm se unido em redes colaborativas para compartilhar boas práticas e soluções locais.
Neste contexto, a Abrasel tem incentivado seus associados a adotarem medidas que conciliem eficiência com responsabilidade ambiental. Acreditamos que sustentabilidade não é apenas uma tendência, mas uma exigência do presente. E, nesse sentido, a água é um dos pilares centrais.
A conservação da água também está diretamente ligada à energia. E aqui, entra um tema que defendemos há anos: o retorno do Horário de Verão. Ao estender as horas de luz natural, reduzimos a pressão sobre o sistema elétrico nos horários de pico — especialmente entre 18h e 21h — e, por consequência, diminuímos o consumo de água nas usinas hidrelétricas.
Além disso, o Horário de Verão tem impacto direto no nosso setor. Com mais luz no fim do dia, as pessoas saem mais, frequentam bares e restaurantes, e movimentam a economia. Estudos da Abrasel indicam que o faturamento pode crescer até 15% nos meses em que os dias são mais longos. É uma medida simples, de baixo custo, e que traz benefícios múltiplos: ambientais, econômicos e sociais.

Este texto faz parte da série de artigos publicados no Anuário Seafood Brasil #60. Para ler este e outros artigos na íntegra presentes nesta edição, clique aqui.
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Créditos imagem: Divulgação/Abrasel
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