A fórmula da Aquacrusta/Sabores da Costa que fortalece o camarão no CE
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A fórmula da Aquacrusta/Sabores da Costa que fortalece o camarão no CE

Como a empresa cresceu num legado familiar e segue se consolidando como importante produtor de camarão e fornecedor de pós-larvas no Ceará

13 de setembro de 2024

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Com diversas operações no Ceará, como a Fazenda Cacimbas, em Acaraú, a Aquacrusta/Sabores da Costa passa por um processo de sucessão familiar para assegurar a inovação contínua na produção de camarão e no fornecimento de pós-larvas no Estado – leia a Parte 01 da matéria de nossa edição #54 clicando aqui, a Parte 02 clicando aqui e a Parte 03 clicando aqui.

A história da Aquacrusta/Sabores da Costa remonta à década de 1970, quando Livino Sales decidiu investir na criação de camarões. "No início, a empresa era uma salina do meu avô, José Rubens. Aí, meu pai [Livino Sales] viu uma oportunidade de se afastar da pesca para se dedicar à aquicultura, onde teria controle sobre a matéria-prima. Foi um tiro no escuro", conta Rubens Sales, diretor comercial. Com a construção dos primeiros viveiros, a empresa se consolidou no mercado, mesmo enfrentando desafios como a falta de tecnologia e conhecimento na época. Já o processo de sucessão na empresa foi natural: Rubens Sales, sendo o filho mais velho, assumiu inicialmente o comercial, enquanto seu irmão, Hugo Sales, cuidou das operações financeiras e organizacionais e Norberto Junior, atual CEO, foi integrado ao time pela sua expertise e metodologia de trabalho.

Seguindo sempre a expansão 

A partir dos anos 1990, a empresa que já era vista como referência começou a produzir pós-larvas não apenas para uso interno, mas também para comercialização. "Iniciamos a produção comercial de pós-larvas em resposta à demanda dos vizinhos que queriam seguir nosso exemplo", diz Rubens Sales, destacando ainda que a expansão dos laboratórios em 1999 permitiu aumentar muito a produção, com picos de 450 milhões de pós-larvas mensais.

Atualmente, a Aquacrusta/Sabores da Costa conta com 11 laboratórios, sendo que alguns são dedicados exclusivamente a testes e à produção de pós-larvas distintas como a X2, que se destaca por sua resistência e crescimento. "Trabalhamos com epigenética, modificando o DNA dos camarões através da alimentação, o que nos permite obter melhores resultados", afirma Rubens Sales.

O filho mais velho de Livino lembra que, entre os momentos mais importantes, a Aquacrusta/Sabores da Costa enfrentou crises em 2003 e em 2016. Nessas ocasiões, ele pontua que a seleção massal foi crucial para o desenvolvimento de larvas resistentes, com a Delta sendo determinante para a carcinicultura brasileira durante a NIN, e a X fazendo o mesmo durante a Mancha Branca. Agora, a aposta é na X2, uma larva que promete combinar resistência e crescimento. "A X é um divisor de águas em relação à Mancha Branca, pois trouxe uma tolerância que resolveu o problema de resistência ao vírus. A X2, por sua vez, é uma PL de performance que exige um ambiente adequado e uma equipe técnica altamente engajada", reforça Norberto Júnior, CEO da Aquacrusta/Sabores da Costa.

Operação pujante

A produção de camarões na Fazenda Cacimbas atinge grandes volumes, com expectativas de alcançar 2,5 milhões de quilos anualmente. "Só aqui, mesmo sem as ampliações, já produzimos mais de um milhão e meio de quilos", comenta o diretor comercial da empresa. Toda a produção é destinada ao mercado de camarão fresco, com os principais mercados localizados no Sul e Sudeste do Brasil. Já a produção de pós-larvas está em cerca de 200 milhões mensais em uma estrutura que inclui 38 hectares dedicados a testes e reprodutores na fazenda em Acaraú.

A empresa também tem sua produção orgânica de camarão, tratada de maneira distinta. "O camarão orgânico é apenas congelado. Temos três clientes em São Paulo que compram, mas o restante é produzido de forma convencional", explica Rubens Sales. Entretanto, em meio a tantas operações, os desafios também são diversos, a exemplo dos relacionados às margens de lucro, que historicamente vêm se estreitando e hoje precisam ser garantidos por meio da tecnificação e controle de custos, como conta Hugo Sales, diretor financeiro. “Por isso, a palavra de ordem passou a ser readequação.”

O filho caçula de Livino Sales destaca um exemplo recente dessa estratégia: "Antigamente, as densidades de camarões por metro quadrado eram muito altas, demandando grandes caminhões para transportar grandes quantidades de larvas. Hoje, com pedidos menores e mais frequentes, caminhões menores e mais econômicos são mais adequados para nossas operações."

Outro desafio significativo é a gestão do estoque vivo. Com a natureza perecível do estoque, impondo uma necessidade de precisão na produção e nas vendas, todas as operações da empresa focam em processos internos. "Nosso objetivo é alcançar a máxima eficiência e qualidade em tudo o que fazemos", afirma Rubens Sales.

As mudanças da atividade em meio aos desafios do mercado também justificam a abordagem cautelosa para o futuro. "Aqui a gente não foca hoje em aumentar a produção ou ampliar o laboratório. Pelo contrário, a gente quer o equilíbrio”, completa Rubens Sales. "Não estamos buscando expansão, mas sim readequação e eficiência. O cenário mudou, e nós precisamos nos adaptar para continuar competitivos”, finaliza Hugo Sales.

 

Essa matéria é o Texto 4 da série "Ceará, o líder absoluto na carcinicultura brasileira" e integra a matéria de capa da Seafood Brasil #54. Clique aqui e leia na íntegra.


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Créditos imagem: Canva

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