Acordo Mercosul-UE entra em vigor
Saiba mais sobre o Acordo e as oportunidades para o pescado na matéria de capa da edição #62 da Revista Seafood Brasil
05 de maio de 2026
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrou em vigor de forma provisória na sexta-feira, 1º de maio de 2026, após 26 anos de negociações. O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com redução significativa das tarifas sobre os produtos brasileiros exportados para o continente europeu e vice-versa.
Como destaca a Agência Brasil, a aplicação provisória foi autorizada pela Comissão Europeia enquanto o Tribunal de Justiça da União Europeia realiza uma análise jurídica que pode durar até dois anos.
Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa terão tarifas de importação zeradas logo no início da implementação. São mais de cinco mil produtos beneficiados, incluindo bens industriais, alimentos e matérias-primas.
Dos quase três mil produtos com tarifa zerada inicialmente, cerca de 93% são bens industriais, o que indica que a indústria brasileira será a principal beneficiada a curto prazo. Setores como máquinas e equipamentos, alimentos, metalurgia, materiais elétricos e produtos químicos terão impacto imediato. No segmento de máquinas e equipamentos, quase todas as exportações para a Europa passam a entrar sem tarifas, abrangendo compressores, bombas industriais e peças mecânicas.
Se o Acordo entrou para a história do comércio exterior e inaugurou uma nova era para o bloco sul-americano, o cenário global acelerou o desfecho. Em um contexto de “tarifaço” nos Estados Unidos e de reconfigurações nas cadeias globais de suprimentos, o entendimento com a Europa deixa de ser apenas um tratado comercial.
Segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o momento exige leitura estratégica e a pressão externa serviu como catalisador. “É um Acordo que demorou muito tempo para ser negociado, avançou ironicamente por conta da negociação com os Estados Unidos e é estratégico do ponto de vista brasileiro, não apenas pelo comércio, mas também pelo que pode gerar de investimentos europeus na América Latina e no Mercosul, principalmente”, pontua
Embora o agro ainda lide com o sistema de cotas, que posterga o livre comércio pleno, Barral enxerga uma transição irreversível para a liberalização. Nesse cenário, a grande vantagem reside no acesso ao mercado “premium” europeu. Ele enfatiza que, apesar das limitações volumétricas iniciais, o alto valor agregado e o rigor do consumidor europeu garantem preços que tornam a operação vantajosa para o agro exportador brasileiro.
Jairo Gund, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), avalia o tratado como “excelente”, especialmente pela complementaridade de portfólio. “O Brasil já é um grande importador de pescado, e as espécies que eles produzem lá [na UE] não são as que nós produzimos aqui. Então não há concorrência; pelo contrário, há sinergia nesse processo”, explica.
Segundo ele, a redução tarifária permitirá ao Brasil competir em melhores condições com os produtos asiáticos, reposicionando o País no cenário internacional. “Certamente isso nos dará um fôlego e uma aceleração no crescimento, e o reflexo acaba sendo sentido também no mercado nacional”, afirma.
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Créditos da imagem: Canva
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