Acordo Mercosul–UE fica para 2026 em meio a tensões na Europa
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Acordo Mercosul–UE fica para 2026 em meio a tensões na Europa

Presidente Lula afirmou esperar que a formalização do acordo ocorra no início do ano

22 de dezembro de 2025

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A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia não ocorreu neste sábado (20), como vinha sendo sinalizado nas últimas semanas. Durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu (PR), o presidente Lula (PT) afirmou esperar que a formalização do acordo ocorra no início de janeiro de 2026, segundo a Agência Brasil.
 
"Tudo estava certo. Todos nós sabíamos a posição da França, histórica. Na última semana surgiu um problema com a primeira-ministra Meloni, da Itália. Não um problema com o acordo firmado entre Mercosul e União Europeia, mas de um acordo firmado entre a própria União Europeia, porque a Meloni dizia que a distribuição de verba para a agricultura na União Europeia estava prejudicando a Itália. E ela, então, estava com problema com os produtores agrícolas, que ela não poderia assinar nesse momento o acordo", disse o presidente do Brasil.
 
Em sua declaração final após o encontro, o  Mercosul expressou "desapontamento" com a decisão da União Europeia de atrasar a assinatura entre os blocos. Como pontua a Carta Capital, além de Lula, o documento foi assinado pelos presidentes Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai). A Bolívia também é representada no comunicado com o ministro das Relações Exteriores, Fernando Carrasco.
 
Na sexta-feira (19), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, havia confirmado o adiamento e afirmado que, apesar do atraso, há apoio suficiente entre os Estados-membros para que o tratado seja aprovado, segundo o G1
 
Conforme o UOL, lideranças da União Europeia enviaram na sexta-feira (19) uma carta ao Lula reforçando a intenção de assinar o histórico acordo comercial com o Mercosul em janeiro. Além de  Leyen, a carta foi assinada pelo presidente Conselho Europeu, António Costa. 
 
Em suma, como informa o G1, a Comissão Europeia planejava selar o pacto na semana passada, o que criaria a maior zona de livre comércio do mundo. O cronograma, no entanto, foi alterado após a Itália se alinhar à França na defesa de um adiamento, com o objetivo de buscar maior proteção aos setores agrícolas nacionais.
 
Resistência, apoio, posição condicionada e otimismo

A principal oposição ao acordo segue concentrada na França. O presidente Emmanuel Macron afirmou que o país não apoiará o tratado sem a inclusão de novas salvaguardas para os agricultores franceses.

“Quero dizer aos nossos agricultores, que expressam a posição francesa desde o início, que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, declarou Macron à imprensa antes de uma das reuniões de cúpula da União Europeia. Ele também antecipou que a França se oporá a qualquer “tentativa de forçar” a adoção do pacto com o Mercosul.
 
Entre produtores rurais franceses, o acordo é visto como uma ameaça, sobretudo pela possibilidade de concorrência com produtos latino-americanos considerados mais baratos e produzidos sob padrões ambientais distintos dos europeus.
 
Na outra ponta do debate, Alemanha, Espanha e países nórdicos defendem o avanço do acordo firmado politicamente no ano passado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Para esses países, o tratado é visto como uma ferramenta estratégica para reduzir a dependência europeia da China e mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos do bloco.
 
Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o país pode apoiar o acordo, desde que sejam atendidas as preocupações levantadas pelos agricultores italianos. “O governo italiano está pronto para assinar o acordo assim que forem dadas as respostas necessárias aos agricultores, o que depende das decisões da Comissão Europeia e pode ser resolvido rapidamente”, declarou.
 
Do lado sul-americano, o governo brasileiro segue demonstrando otimismo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que conversou por telefone com Giorgia Meloni, que teria relatado enfrentar um “constrangimento político” diante da pressão de agricultores italianos, mas sem oposição de mérito ao tratado. “Se a gente tiver paciência de uma semana, de dez dias, de no máximo um mês, a Itália estará junto com o acordo”, afirmou Lula.
 
Protestos em Bruxelas e próximos passos
 
Enquanto os líderes se reuniam em Bruxelas, milhares de agricultores protestaram contra a política agrícola da União Europeia e, em especial, contra o acordo com o Mercosul. 
 
O acordo segue em discussão no Conselho Europeu, instância responsável por autorizar formalmente a Comissão Europeia a ratificá-lo. Diferentemente do Parlamento Europeu, o Conselho exige maioria qualificada: apoio de ao menos 15 dos 27 países do bloco, que representem 65% da população da União Europeia.
 
Embora o debate público esteja fortemente concentrado no agronegócio, o tratado vai além do comércio agrícola. O texto abrange também indústria, serviços, investimentos, propriedade intelectual e insumos produtivos, fatores que explicam o apoio de diferentes setores econômicos europeus e o interesse estratégico do Mercosul no avanço do acordo.
 
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Créditos imagens: Canva

 

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