Algicultura desponta como profissão do futuro
Empreendedor em cultivo de algas ganha destaque ao unir sustentabilidade, inovação alimentar e geração de renda no Brasil
13 de janeiro de 2026
A algicultura começa a se consolidar como uma das profissões mais promissoras da economia azul e dos sistemas alimentares do futuro. O alerta vem do The Futura Lab, que incluiu o empreendedor em cultivo de algas na lista das carreiras emergentes no eixo Comida e Agricultura.
De acordo com o estudo, elaborado a partir de análises de relatórios de entidades como o World Economic Forum, OCDE e consultorias globais, o mundo do trabalho passa por uma transformação acelerada. Nesse contexto, atividades ligadas à produção de alimentos de baixo impacto ambiental ganham protagonismo. E é justamente aí que o cultivo de algas marinhas se destaca.
No Brasil, a algicultura já aparece em documentos oficiais como estratégia de mitigação climática e recuperação ambiental, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Além de não demandarem água doce ou fertilizantes, as algas crescem rapidamente e capturam carbono, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Paralelamente, pesquisas conduzidas pela Embrapa e por redes internacionais reforçam o potencial das algas como alimento do futuro, com aplicações que vão da nutrição humana à ração animal, passando pela biotecnologia e pelos ingredientes funcionais. “Elas são ricas em fibras, minerais, vitaminas e até ômega-3, compondo uma matriz alimentar altamente nutritiva e sustentável”, destaca a pesquisadora Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos.
Um projeto internacional liderado pela Embrapa, em parceria com instituições da Europa, aposta no desenvolvimento de algas marinhas como alternativa sustentável ao pescado tradicional. A iniciativa integra o Sustainable Blue Economy Partnership, vinculado ao programa Horizonte Europa, e prevê, entre os resultados, a criação de protótipos como um “atum vegetal” à base de algas.
Apesar dos desafios relacionados ao sabor, à textura e à aceitação do consumidor, os pesquisadores trabalham no aprimoramento dos processos de cultivo e transformação da biomassa. Em resumo, o objetivo é tornar esses produtos mais atrativos ao mercado, ampliando as oportunidades para novos empreendedores da cadeia aquícola.
Além da inovação alimentar, a algicultura se apresenta como alternativa econômica para comunidades costeiras. Com mais de 8 mil quilômetros de litoral, o Brasil reúne condições favoráveis para estruturar uma cadeia produtiva robusta, capaz de gerar emprego, renda e diversificação da atividade pesqueira.
Estados como Santa Catarina, referência nacional na maricultura, já acumulam dados relevantes de produção e pesquisa, com apoio da Epagri – clique aqui e leia a matéria de Capa que fizemos na Seafood Brasil #48 sobre a atividade no Estado.
Inserida no conceito de economia azul, a algicultura dialoga diretamente com as metas da Agenda 2030 e do ODS 14 – Vida na Água. Segundo a Embrapa, globalmente, a produção de algas ultrapassou 36 milhões de toneladas em 2022, movimentando um mercado estimado em mais de US$ 2 bilhões. Além da alimentação, esses organismos abastecem setores como farmacêutico, cosmético e agrícola.
Créditos da imagem: Seafood Brasil
alga, algas, algicultura, Economia Azul, Embrapa, profissão


.jpg)




