Banco genético fortalece tilapicultura no Brasil
Reserva com mais de 2.600 tilápias preserva diversidade genética e apoia ganhos produtivos no principal peixe cultivado do País
14 de janeiro de 2026
De acordo com informações da Agência FAPESP, o Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde estruturou um dos mais amplos bancos de germoplasma de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) já desenvolvidos no Brasil. A iniciativa reúne mais de 2.600 exemplares, coletados em diferentes regiões do País, e funciona como uma espécie de “poupança genética” que sustenta o avanço da tilapicultura, atividade que responde por cerca de 65% da produção nacional de peixes cultivados.
Para a formação da reserva, os pesquisadores analisaram nove populações de tilápia, com amostras provenientes de Estados que vão de Santa Catarina ao Ceará. Segundo a Agência FAPESP, embora os peixes apresentem características morfológicas semelhantes, os dados genéticos revelaram diferenças significativas entre os grupos, organizados em quatro grandes agrupamentos.
Além disso, o estudo identificou sinais relevantes de endogamia, ou seja, cruzamentos entre indivíduos geneticamente próximos. Em resumo, esse fator, segundo os cientistas responsáveis, pode reduzir a diversidade genética ao longo do tempo e comprometer o desempenho produtivo dos plantéis, especialmente em sistemas intensivos de cultivo.
Os exemplares que compõem o banco genético estão alocados na unidade do Instituto de Pesca, em São José do Rio Preto, onde passam por um processo detalhado de caracterização. Nesse sentido, a pesquisa combina medições corporais, análises de rendimento de filé e o uso de ultrassonografia, além de marcadores moleculares de DNA, ampliando a precisão dos resultados.
Os dados também apontam diferenças produtivas entre linhagens. Enquanto animais associados ao programa Genetically Improved Farmed Tilapia (GIFT) apresentaram maior rendimento de filé, outras linhagens, como a chitralada, demonstraram menor taxa de crescimento. Esse tipo de informação é considerado estratégico para orientar programas de melhoramento genético mais eficientes.
Com isso, o conhecimento gerado contribui para a seleção de peixes mais adaptados às condições brasileiras, com maior resiliência climática, melhor desempenho zootécnico e maior retorno econômico para a cadeia produtiva do pescado.
O Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde conta com apoio da FAPESP, por meio do programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), e tem sede no Instituto Oceanográfico da USP. O projeto envolve ainda pesquisadores do Instituto de Pesca, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Créditos da imagem: Seafood Brasil
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