Cadeia do atum no Brasil: do déficit comercial histórico ao superávit
Indústria

Cadeia do atum no Brasil: do déficit comercial histórico ao superávit

Diversidade de espécies também chama a atenção no mercado

03 de março de 2022

Entre todo o pescado capturado pela pesca marítima extrativista na costa brasileira, o atum é aquele que poderá entregar a melhor resposta positiva a curto prazo, tanto em termos econômicos quanto social e ambiental, é o que aponta um estudo realizado pelo consultor Wilson Santos.
 
Santos destaca como a cadeia de atum no Brasil é rica em diversidades, como por exemplo a geográfica, como dois polos economicamente ativos. Um polo na região Nordeste com forte base no Ceará – Rio Grande do Norte e Pernambuco e outro na região Sul-Sudeste com Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
 
A diversidade de espécies também chama a atenção. Temos o Thunnus albacares (Yellowfin-albacora laje) líder no Nordeste e participação secundária no Sul-Sudeste, Thunnus obesus (Bigeye-patudo-albacora bandolin) participação secundária no Nordeste e baixa na região Sul-Sudeste e o Katsuwonus pelamis (Skipjack-bonito listrado) com liderança no Sul-Sudeste e muito baixa participação no Nordeste. 
 
A sustentabilidade nas técnicas de capturas também é apontada por ele, como one by one, predominante do Sul-Sudeste com a chamada vara-isca viva e os sistemas predominantes no Nordeste de linha de fundo e espinhel.
 
Conforme o especialista, os métodos operacionais são exemplos de sustentabilidade reconhecidos por todas as instituições mundiais que estudam e analisam os procedimentos de capturas do recurso.
 
Já a diversidade dos produtos comercializados no mercado internacional também é relevante. Santos lembra que o Brasil importa conservas de atum, o peixe também cozido/congelado (principalmente o ralado para indústria de conservas) e o atum inteiro congelado para indústria de conservas. 
 
Atualmente, o Brasil exporta conservas de atum, atum inteiro congelado para indústria de conservas, lombos de atum cozido congelado (tipo sólido) para indústria de conservas e atum fresco aos restaurantes.
 
“Não significa que o Brasil tenha potencial para se transformar em grande referência mundial do recurso, mas poderá ter uma atividade com impacto significativo em várias comunidades da costa brasileira com geração de emprego e renda com plena preservação ambiental”, destaca Santos.
 
Superávit em 2020 
 
Após mais de 20 anos com balança no comércio externo deficitária, a cadeia consolidada de atum alcançou um pequeno superávit em 2020 e um significativo crescimento em 2021. O setor obteve em 2021 um superávit comercial de 17 milhões de dólares, consolidando uma posição que, conforme Santos, aparenta ser irreversível nos próximos anos.  
 
Desconsiderando comparações com o ano atípico de 2020 por causa da pandemia da Covid-19 e analisando 2019, o crescimento nas exportações foi de 17 %, enquanto as importações apresentaram queda de 41%.
 
Veja a seguir o quadro da balança comercial no período de 2017 a 2021
 
 
 
A análise detalhada de Santos sobre os vários segmentos dentro da cadeia total conduz a alguns pontos importantes que determinam esta reversão de posição. Veja a seguir:
 
Indústria de Conservas se fixando no Nordeste e alavancando polo industrial de atum da região: O Grupo espanhol Jealsa-Crusoé com forte expertise nos segmentos de conservas de atum e sardinha, e com participação expressiva no mercado internacional inclusive na américa latina, se instalou no estado do Ceará em 2014;
 
O conhecimento estratégico de negócios: em pouco tempo vislumbrou e expandiu o foco principal inicial nas conservas de sardinha para um outro grande potencial dos atuns;
 
O Ceará: estado representou em 2021 cerca de 35% do total exportado pelo Brasil considerando todos os segmentos da cadeia de atuns (conservas-congelados e resfriados) e acima de 50% se considerar apenas o segmento de conservas, onde a incorporação de mão de obra é intensa.
 
Exportações de conservas de atum
 
Até 2017, Santo destaca que as exportações de atum estavam concentradas apenas na região Sul e nas indústrias de Santa Catarina. Mas, a partir de 2018 entrou em cena a indústria do Ceará, que elevou o total brasileiro exportado em 2021 para 17.3 milhões de dólares, expressivo crescimento de 91% sobre o ano de 2019. 
 
 
A Argentina, Chile e Venezuela representaram 78% do total das exportações em 2021. Outras participações foram do Uruguai, Paraguai, República Dominicana e outros países.
 
As exportações realizadas em 2021 são projetadas em apenas 10% do mercado argentino e 5% do mercado chileno. Estes países são abastecidos fortemente pela Tailândia e Equador. Com relação aos mercados atingidos, existe uma clara divisão com as indústrias de Santa Catarina permanecendo com mercado da Argentina e indústria do Ceará abrindo novos mercados como Chile e Venezuela.
 
O consumo atual e o potencial que existe na América do Sul é muito interessante e poucos países possuem disponibilidade de matéria-prima e uma indústria bem estruturada. Conforme Santos, apenas Equador (top 3 do mundo), Colômbia e Brasil atualmente possuem essas características.  
 
Exportação de atum Big-Eye ou Albacora bandolim resfriado
 
Após o ano pandêmico de 2020, que foi extremamente crítico para este segmento, o pesquisador analisa que o setor mostrou um poder espetacular de resiliência e recuperação econômica.
 
 
Sendo um produto nacional altamente competitivo no exigente mercado americano de restaurantes, as exportações em 2021 foram 100% destinadas aos USA, como origem 95% do Rio Grande do Norte e 5% de Pernambuco.
 
Pelas características do mercado e do produto, o ano de 2020 não deve ser levado em consideração nas comparações. O crescimento em dois anos alcança 59% em valor, e 36% em volume, ocasionando um forte impacto na balança comercial da cadeia geral.  
 
Importação vs exportação de conservas de atum
 
Talvez esta performance seja a mais importante entre todas que formam a cadeia do recurso. Para Santos, fica claro que estamos passando de exportador de matéria-prima para indústria de conservas externa para exportador de produto acabado. E com forte agregação de mão de obra.
 
Conforme ele, o crescimento nas exportações em 2021 foi "fantástico", com aumento de 55%, atingindo mais de 24 milhões de latas (170). Como impacto desta exportação, este volume absorve cerca de 5.100 toneladas de matéria-prima e representa aproximadamente 13% do mercado total brasileiro.
 
As importações de conservas realizadas são basicamente do Equador (top 3 na produção mundial) e sustentaram-se em níveis reduzidos, representando cerca de 7% do mercado nacional. 
 
É importante salientar que conservas de atum vindo do Equador não têm imposto de importação, o que significa que a cadeia nacional consegue ser competitiva com uma indústria de nome mundial.        
 
 
Créditos: Canva
 

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