Marrocos proíbe exportação de sardinha e medida pede atenção do Brasil
Abipesca afirma que indústrias nacionais estão preparadas para a medida e importações de sardinhas congeladas são complementares
10 de fevereiro de 2026
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A decisão do governo do Marrocos de suspender, desde 1º de fevereiro, a exportação de sardinha congelada para qualquer destino impõe um cenário de atenção para a indústria brasileira de conservas de pescado. Nos últimos anos, o país consolidou-se como o principal fornecedor externo da espécie para o mercado nacional, especialmente nos períodos de entressafra ou baixa oferta da frota doméstica.
Conforme a Agência Ecofin, a medida ocorre em um contexto de forte pressão sobre os estoques marroquinos de pequenos pelágicos. A sardinha representa cerca de 85% desse grupo no país e, entre 2022 e 2024, os desembarques recuaram 46%, passando de 965 mil para 525 mil toneladas, segundo dados do Office National des Pêches (ONP). Essa situação provocou forte concorrência pela espécie e levou a diversos episódios de aumento de preços em 2025, em várias regiões do país. O cenário é atribuído à combinação de sobrepesca, esgotamento dos estoques e aumento da demanda interna.
De acordo com o governo marroquino, a restrição tem como objetivo garantir o abastecimento do mercado doméstico e conter a alta dos preços, sobretudo no período do Ramadã, quando o consumo de sardinha cresce significativamente. A duração da medida, no entanto, não foi especificada, o que amplia a incerteza para importadores e indústrias dependentes da matéria-prima.
Protagonista é a produção nacional
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) lembra que Marrocos desempenha um papel importante nas importações de sardinha e no abastecimento do mercado nacional. E, apesar da redução nas importações nos últimos anos, devido à melhora na safra nacional, em 2025, o país ainda representou quase 22% das compras de sardinha feitas pelo Brasil, embora tenha correspondido a menos de 7% do abastecimento local.
A associação destaca que qualquer rompimento comercial gera transtornos, porém afirma que as indústrias nacionais estão preparadas para a medida, com estruturas de abastecimento de outros países. “Se a safra da sardinha nacional se mantiver saudável e em alta, o impacto é minorado, pois nosso principal fornecimento é a produção nacional”, destaca.
Diante desse cenário, a Abipesca reforça que a prioridade sempre foi e sempre será valorizar a produção da pesca nacional, e que a importação da matéria-prima de sardinha sempre teve caráter complementar. Sobre as ações de mitigação, a associação comenta que as indústrias nacionais possuem estratégias globais de fornecimento, envolvendo Marrocos, Omã, Japão e outros países africanos e asiáticos.
“A grande vantagem de Marrocos, sendo responsável por grande parte do fornecimento histórico, se dá por termos mais empresas certificadas e com qualidade validada por nossas indústrias, mas nada impede que possamos ampliar com outros países parceiros, como a Mauritânia, por exemplo, onde a Abipesca já tem articulado relações para protocolos sanitários da aquicultura, e já possui acordo sanitário para produtos da pesca extrativa”, disse.
Quanto aos eventuais impactos ao consumidor final, com possível pressão sobre produção e preços, a associação considera que é difícil atribuir diretamente à medida marroquina. O impacto está muito mais ligado ao “custo Brasil", à inflação, à taxa cambial do dólar e, sobretudo, ao fato de a sardinha ainda não estar na lista da cesta básica da Reforma Tributária. “O que nos preocupa neste momento não são as decisões políticas de Marrocos, e sim as decisões políticas do próprio Brasil”, finaliza a Abipesca.
Créditos da imagem: Canva
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