Cadoma estrutura entrada na China e projeta dobrar receita em 2026
Aquicultura

Cadoma estrutura entrada na China e projeta dobrar receita em 2026

Empresa destacou suas soluções na Aquishow Brasil 2026, em Uberlândia (MG)

17 de junho de 2026

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Com o custo de ração representando entre 70% e 80% do capex operacional das fazendas de produção, a eficiência hídrica e alimentar tornou-se um dos principais drivers de competitividade para o setor de pescado. Durante a Aquishow Brasil 2026, em Uberlândia (MG), a Cadoma detalhou sua plataforma tecnológica voltada a mitigar o desperdício e maximizar o ganho de peso diário dos plantéis.
 
Diferenciando-se dos sistemas de trato manual, a empresa introduziu um ecossistema automatizado capaz de realizar até 144 tratos em 24 horas. O equipamento opera integrado a sensores de oxigênio e temperatura, além de câmeras com inteligência artificial, como conta Leonardo Moura, diretor de operações da Cadoma. "Essa câmera faz a análise da satisfação alimentar do peixe. Assim, a gente sempre distribui a ração de forma que não sobre nada e também não falte para o peixe", conta.
 
Com uma trajetória de dez anos no mercado interno, a empresa nacional inicia seu processo de expansão internacional via Ásia. A companhia foi selecionada para um programa de aceleração de seis meses na China. Segundo Moura, o movimento estratégico visa posicionar o portfólio de no maior mercado aquícola global. “Temos muita expectativa com esse mercado lá fora, mas com certeza sem deixar para trás o nosso país, que é a nossa casa", pondera. "Acreditamos que, até 2050, o Brasil será o pioneiro mundial na produção de pescado."
 
Apesar do otimismo de longo prazo, o diretor de operações da Cadoma destaca que o ambiente de negócios doméstico exige resiliência dos fornecedores de tecnologia. Fatores macroeconômicos e sanitários recentes, somados à competitividade do pescado importado, têm condicionado o produtor local a uma postura mais conservadora quanto à imobilização de capital.
“O cenário para o piscicultor está muito incerto. O produtor está cauteloso e, embora continue expandindo a produção, esse crescimento é gradual. Quando apresentamos uma nova tecnologia, a reação geral é de recuo, alegando que não é o momento ideal para investir."
 
Outro gargalo mapeado pela empresa é a barreira cultural de produtores tradicionais. Contudo, Moura destaca que a curva de adoção tecnológica caminha para a maturidade através do efeito de demonstração e da busca mandatória por margens operacionais líquidas mais saudáveis: “O produtor verá o seu vizinho produzindo com mais eficiência e dirá: 'Poxa, eu também quero essa tecnologia'”, destaca.
 
Mesmo diante de um cenário de cautela por parte dos produtores, a Cadoma mantém uma curva de crescimento acelerada, reportando o faturamento dobrado ano a ano nos últimos três exercícios, meta que projeta replicar para o encerramento do ano fiscal de 2026. Para o próximo semestre, como completa Moura, o foco corporativo divide-se entre o início das operações de campo na China e a captura de insights tecnológicos no mercado asiático para retroalimentar a cadeia produtiva brasileira.
 
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Créditos da imagem: Seafood Brasil 

 

 

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