Indústria dos EUA e UE pede tempo e flexibilidade no sistema CATCH
Entidades solicitam prazo adicional à União Europeia para ajustar exigências de rastreabilidade sobre o pescado exportado
20 de abril de 2026
Representantes da indústria de pescado dos Estados Unidos e da Europa pediram para a União Europeia (UE) mais tempo e flexibilidade para a implementação do novo sistema digital CATCH, que entrou em vigor na UE em janeiro de 2026. O mecanismo busca assegurar que todo pescado que ingressa no mercado europeu tenha origem legal e esteja em conformidade com os padrões regulatórios do bloco, reforçando os esforços de combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU).
De acordo com o Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI), o cumprimento integral das exigências do novo sistema CATCH é inviável devido à logística de captura e processamento no Alasca, onde o transbordo e a consolidação de cargas (commingling) são práticas comuns há décadas.
Neste sentido, o diretor executivo do ASMI, Jeremy Woodrow, destacou a relevância dessa relação comercial para o setor. “A União Europeia é o maior parceiro comercial do Alasca, onde mais de US$ 750 milhões em exportações diretas entraram no mercado da UE em 2025. O relacionamento confiável e de longa data entre o Alasca e a União Europeia foi construído ao longo de muitas décadas, e qualquer interrupção acarreta consequências negativas a longo prazo para os pescadores, processadores e comunidades do Alasca, bem como para os importadores, empresas e consumidores europeus.”
Assim, as entidades alertam que a burocracia do sistema tem causado preocupações e bloqueios não intencionais. “Estamos observando casos em que as importações de pescarias americanas altamente regulamentadas, que apresentam um risco essencialmente zero de pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU), estão enfrentando bloqueios administrativos não intencionais devido a restrições documentais”, disse Guus Pastoor, presidente da Seafood Europe. “Isso evidencia desafios práticos mais amplos para a rastreabilidade de países terceiros como um todo, que atualmente impõem um fardo pesado de atrasos e aumento dos custos operacionais para importadores e despachantes aduaneiros da UE.”
Já Julie Decker, presidente da Pacific Seafood Processors Association (PSPA), reforçou que algumas remessas poderiam exigir milhares de entradas de dados manuais. "Sem modificações, esses requisitos correm o risco de interromper uma parte substancial das exportações de pescado dos EUA para a UE", afirmou a dirigente, ressaltando a incompatibilidade do sistema digital com a rotina de agregação de capturas em embarcações de apoio (tenders).
Gestão baseada em ciência e apelo à Comissão Europeia
Outras lideranças do setor, incluindo a At-Sea Processors Association (APA) e o National Fisheries Institute (NFI), reiteram seu compromisso com a transparência na cadeia de suprimentos global, mas pedem coordenação prática. Lisa Wallenda Picard, presidente do NFI, lembrou que a pesca IUU prospera onde falta monitoramento. “A pesca IUU é um desafio real que ameaça os recursos marinhos e mina a competição justa para colhedores responsáveis. Ela prospera onde há falta de monitoramento forte, aplicação e governança pesqueira. Esse está longe de ser o caso no Alasca. As pescarias dos EUA operam sob um dos frameworks de gestão e aplicação baseados em ciência mais rigorosos do mundo, com responsabilidade em cada etapa.”
Em suma, o setor solicita que os importadores europeus compartilhem essas preocupações com o Comissário de Pesca e Oceanos da UE, Costas Kadis, e com as administrações de seus respectivos Estados-membros. A indústria defende a extensão do período de carência para que ajustes técnicos no sistema CATCH permitam a continuidade do fluxo comercial de espécies, como a polaca do Alasca, bacalhau e salmão do Pacífico.
Créditos da imagem: Divulgação
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