Manu Ornelas acumula fãs nas redes e clientes na peixaria
Varejo

Manu Ornelas acumula fãs nas redes e clientes na peixaria

Manu foi "Personagem" na Seafood Brasil #41

02 de março de 2022

Em 2014, a ciência brasileira perdeu um grande talento. A farmacêutica Manuela Ornelas Abreu, mestre em teratologia humana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, abriu mão do doutorado que fazia na mesma UFRJ. “Larguei porque não me sentia muito valorizada na área acadêmica. Além disso, eu deveria sair do País para estudar e eu não queria. Esse nunca foi meu objetivo”, conta.
 
No mesmo ano, o setor do pescado ganhou um grande reforço na missão de incentivar o consumo. A farmacêutica Manu Ornelas decidiu seguir a tradição comerciante da família e abriu, com seu pai, uma peixaria em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ela já ajudava o progenitor em um hortifrúti aos finais de semana. “Meu pai estava abrindo a peixaria e pensava que haveria mais potencial. E ele tinha razão.”
 
A aventura durou dois anos até que o estilo de gestão distinta ao do pai empurrou Manu a ter a própria peixaria. O bairro escolhido foi o Irajá, na Zona Norte da capital fluminense. “Era um bom ponto, muito movimentado e foi onde eu cresci.” A ligação afetiva com o local, a veia comerciante e a experiência com o perfil dos clientes locais falaram mais alto, e a peixaria prosperou.
 
Motivada pelo sucesso da primeira loja, Manu resolveu abrir uma segunda em Madureira, bairro situado na mesma Zona Norte, uma espécie de síntese do subúrbio carioca. Tudo parecia indicar o mesmo sucesso da primeira peixaria, mas o ponto e o perfil dos clientes arruinaram o negócio. Manu e o sócio à época ainda tentaram migrar para a Freguesia, na Ilha do Governador, mas não deu certo. “Não podia botar placa, não podia botar cavalete. No dia da inauguração, coloquei bolas, carro de som e tomei multa. Só consigo vender se eu fizer este alvoroço.”
 
Uma última cartada, com envase dos peixes à vácuo trazidos da loja do Irajá, também não prosperou. Para piorar a situação, Manu se deu conta de que havia acumulado um rombo financeiro com diversos fornecedores, entre os quais os permissionários que o pai havia cultivado durante anos no Ceasa-RJ para seu hortifruti. Sem dinheiro sequer para pagar as contas, Manu chegou a receber água do pai em uma Kombi para abastecer o local.
 
Foi aí que Manu respirou fundo, rompeu o contrato da outra loja e decidiu se dedicar totalmente à peixaria do Irajá. A Divina Providência então se manifestou e os resultados vieram: em quatro anos, Manu contabiliza aumento de 500% no faturamento. O trabalho duro na loja veio acompanhado de uma ferramenta essencial para Manu: o marketing de conteúdo nas redes sociais. “Era o único jeito de trazer mais gente para a loja e gerar fluxo para a loja.”
 
O aprendizado com o pai e os peixeiros sobre as espécies mais indicadas para cada tipo de preparo começou a ser repassado aos clientes em forma de vídeos e fotos nas redes, com a energia e bom humor característicos da empresária.
 
“Hoje, as outras peixarias copiam o que eu criei. Desde a escolha certa para substituir um peixe caro ou em extinção. É essencial ensinar ao cliente a conhecer as fraudes e falsificações. Essa busca por informações veio comigo da área acadêmica.” Depois de explodir em vendas na pandemia com mais de 100 entregas por dia (pico de 120 na Semana Santa de 2020), Manu preparou o terreno para se mudar novamente.
 
Mas ela já está escolada: a Divina Providência negocia a mudança para a mesma rua, em um local duas vezes maior. Se você é um dos mais de 32 mil seguidores da Manu no Instagram, deve ter recebido a notícia em primeira mão.
 
Manu foi "Personagem" na Seafood Brasil #41 que pode ser lida aqui.
 
Créditos: Arquivo Pessoal/Divulgação
 

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