Ondas e progresso: o crescimento da pesca e aquicultura na Argentina
Por Juan Antonio Lopez Cazorla, médico veterinário e subsecretário da Subsecretaria de Recursos Aquáticos e Pesca da Argentina*
13 de fevereiro de 2026
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Gestão pesqueira e estrutura técnica
Exportações e mercado internacional
Em 2024, o país exportou 539 mil toneladas de pescado, alcançando US$ 2 bilhões, com vendas para mais de 200 países - o Brasil ocupa a 6ª posição no ranking, recebendo 4% do total exportado. Por isso, há grandes oportunidades para aprofundar essa relação comercial, ampliando o acesso dos consumidores brasileiros à alta qualidade dos produtos argentinos.
*Artigo escrito para o Anuário Seafood Brasil #60
A indústria pesqueira marinha argentina produz regularmente cerca de 800 mil toneladas de produtos pesqueiros, com destaque para merluza, corvina, anchoíta, crustáceos como o camarão-rosa (langostino) e moluscos como a lula. Sendo assim, a composição dessa produção varia de acordo com as condições oceânicas, que podem ser mais ou menos favoráveis aos organismos sensíveis a variáveis ambientais, como o camarão-rosa e a lula.
Dentro deste contexto, o maior desafio da gestão pesqueira argentina é realizar um monitoramento diário dos recursos, garantindo o máximo aproveitamento das populações, sem comprometer sua capacidade de reprodução e minimizando os impactos ambientais, assegurando assim a sustentabilidade da produção. Espécies como merluza e corvina apresentam níveis de captura mais estáveis e são avaliadas anualmente pelo Instituto Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Pesqueiro (INIDEP).
Com base nessas avaliações, são recomendadas capturas biologicamente aceitáveis, que depois são ratificadas pelo Conselho Federal de Pesca, responsável por definir as Capturas Máximas Permitidas (CMP). Esse modelo, aliado à manutenção de amplas zonas de proteção de juvenis, tem permitido uma leve tendência de crescimento na pesca de merluza, principal produto exportado para o Brasil, que representa o segundo maior mercado para a merluza argentina, com US$ 69,8 milhões em exportações em 2024.
Aqui, é importante ressaltar que um dos marcos de 2025 foi a renovação e ratificação das quotas individuais transferíveis de captura (CITC) para a merluza e outras espécies austrais, como a merluza-negra, a merluza-de-cauda e a polaca. Essas quotas são concedidas por 15 anos, o que exigiu, em2024, uma avaliação do desempenho do sistema. O sucesso obtido nos anos anteriores permitiu manter a política, com ajustes pontuais, prorrogando o modelo por mais 15 anos.
Em 2024, a captura de camarão-rosa, por exemplo, atingiu os níveis mais altos da última década, com exportações próximas a US$ 1 bilhão, ficando atrás apenas do resultado obtido em 2021. Os números foram obtidos devido ao sistema de monitoramento semanal das capturas, que permite a adoção de vendas móveis em áreas de maior concentração durante a temporada mais produtiva, que ocorre entre final de maio/início de junho e setembro, em águas nacionais, e no verão, em águas mais rasas. Porém, apesar de em 2025, alguns conflitos trabalhistas atrasaram o início da temporada, a alta concentração de camarões de grande porte mantém expectativas positivas para o restante do ano.
Por outro lado, a pesca da lula Illex, terceiro recurso mais importante para a indústria, apresentou resultados históricos em 2025. Nos últimos anos, a captura anual variava entre 100 mil e 150 mil toneladas, mas, em 2025, o volume superou 200 mil toneladas, marca que não era atingida desde 2008. Além disso, os preços internacionais registraram alta, impulsionados pela menor produção em outras regiões produtoras de espécies similares, o que gerou oportunidades adicionais de receita para a Argentina.
Todos esses resultados só foram possíveis graças à articulação eficiente entre o Conselho Federal de Pesca, a Subsecretaria de Recursos Aquáticos e o INIDEP.
Em 2024, foram realizadas mais de 50 campanhas científicas, utilizando as três principais embarcações de pesquisa — Víctor Angelescu, Eduardo Holmberg e Mar Argentino —, além de embarcações comerciais.
O acompanhamento contínuo gerou:
--> Mais de 142 relatórios de marés do programa de observadores a bordo;
--> Mais de 500 relatórios técnicos, estudos e documentos de assessoramento científico;
--> Produção integrada por 18 programas de pesquisa e 10 gabinetes especializados, além de outros grupos de trabalho.
O sistema de rastreabilidade da pesca argentino, que registra eletronicamente os desembarques, permite que toda a frota e as empresas pesqueiras controlem digitalmente os movimentos de produtos ao longo da cadeia, garantindo a emissão online de certificados de captura legal. Ou seja, esse processo assegura o acesso aos mercados internacionais mais exigentes.
Em 2024, o país exportou 539 mil toneladas de pescado, alcançando US$ 2 bilhões, com vendas para mais de 200 países - o Brasil ocupa a 6ª posição no ranking, recebendo 4% do total exportado. Por isso, há grandes oportunidades para aprofundar essa relação comercial, ampliando o acesso dos consumidores brasileiros à alta qualidade dos produtos argentinos.

Este texto faz parte da série de artigos publicados no Anuário Seafood Brasil #60. Para ler este e outros artigos na íntegra presentes nesta edição, clique aqui.
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Créditos imagem texto: Divulgação
Créditos imagem: Canva
61, Anuário, aquicultura, Argentina, Juan Antonio Lopez Cazorla, Subsecretaria de Recursos Aquáticos e Pesca da Argentina







