Pesca Sustentável e Rentável: setor precisa se adequar
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Pesca Sustentável e Rentável: setor precisa se adequar

Mundo está evoluindo e com a pesca não poderia ser diferente

Luana Arruda Sêga - 04 de junho de 2021

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A Pesca Sustentável de que tanto ouvimos falar está se tornando cada vez mais uma realidade mundial a qual todo o setor pesqueiro precisa se adequar. No início, se pensava que os recursos marinhos eram ilimitados, com pescarias que traziam milhões de toneladas de peixes e que rendiam lucros que tornavam a pesca um setor extremamente rentável. Porém, depois de grandes capturas históricas, começaram a perceber que os peixes poderiam acabar.
 
Um clássico exemplo disso é a história do bacalhau no Mar do Norte, que era abundante e resultou em um setor inteiro voltado para captura e comercialização dessa espécie, que em poucos anos, se tornou escassa no oceano, chegando quase a ser extinta.
 
Depois de proibições e gestão pesqueira aplicada, os estoques começaram a se recuperar e hoje, apesar de ser capturado em quantidades inferiores à de décadas passadas, a pesca do bacalhau pode ser considerada uma pesca rentável e sustentável e que serve de exemplo para outras pescarias no mundo todo.
 
Em algum momento da história o homem percebeu que os recursos marinhos não eram ilimitados e começaram os estudos de biologia pesqueira e a aplicação de gestão pesqueira em diversos países do mundo. Hoje, já existe comprovação de que quando um determinado tipo de pescaria opera com base em uma gestão pesqueira que foi discutida entre governo, academia e setor, ela consegue prosperar e até recuperar estoques que antes estavam sobrexplotados.
 
Mesmo sabendo disso, em muitos lugares ainda se pesca com poucos recursos e incentivos e com pouca orientação e fiscalização, o que gera pescarias sem controle, sem registro e sem gestão.
 
Essa falta de controle de grande parte das pescarias mundiais combinada com um grande esforço pesqueiro oriundo da pesca ilegal em águas internacionais levam uma parte da população a acreditar que essa atividade econômica não tem saída e que serve apenas para destruir o ambiente marinho. No entanto, podemos dizer que essa visão está totalmente equivocada, principalmente porque já existem estudos comprovando que a pesca pode sim ser sustentável.
 
Hoje já existem tecnologias que evitam a captura de tartarugas e mamíferos marinhos e que conseguem identificar os estoques pesqueiros e estudos que conseguem estimar cotas de captura e limite de número de embarcações para um determinado estoque e que conseguem determinar o períodos e áreas em que a espécie pode estar mais vulnerável e deve ser protegida, como é o caso dos períodos de defeso e áreas de exclusão para reprodução e recrutamento.
 
A pesca no mundo todo está se adequando aos padrões sustentáveis necessários para a conservação dos recursos marinhos e para a continuidade do consumo desses produtos, que conta com consumidores cada vez mais rigorosos na preocupação com o meio ambiente e o futuro sustentável do planeta.
 
O estado do Alasca, nos Estados Unidos, é um dos maiores exemplos de pesca sustentável, pois desde a década de 1960 trabalha com o conceito de produção sustentável em sua constituição. A Austrália também deve ser citada nesse contexto, pois possui uma boa gestão em muitas pescarias, inclusive de espécies demersais, onde o controle e a gestão podem ser mais difíceis devido ao ciclo de vida desses animais.
 
Além da preocupação com os recursos, algumas frotas também precisam se adequar à pesca sustentável devido ao mercado de comercialização. Recentemente, os Estados Unidos anunciaram a proibição da exportação de camarões pelo México, pela frota não estar utilizando de forma adequada os Dispositivos Excluidores de Tartarugas - DET (também conhecido como TED, em inglês).
 
 
Desde 2018, o governo dos Estados Unidos, através da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) registrou que os pescadores não estão recebendo capacitação adequada para o uso desses dispositivos, que evitam cerca de 95% das capturas de espécies de tartarugas ameaçadas de extinção.
 
No Brasil, o uso do DET em embarcações de arrasto de camarão já é obrigatório por legislação nacional desde 1994 e agora, o governo trabalha em um Plano de Pesca Sustentável para a retomada da operação da frota de arrasto no estado do Rio Grande do Sul.
 
O mundo está evoluindo e com a pesca não poderia ser diferente, a cada dia novas tecnologias são aplicadas e novos estudos são publicados, com o objetivo final de tornar as pescarias mais rentáveis e mais sustentáveis, gerando recursos com mais qualidade e alcançando consumidores cada vez mais exigentes em busca de uma maior conservação dos nossos oceanos.
 
 
Infelizmente, o Brasil ainda está caminhando a pequenos passos rumo à essa nova era da Pesca Sustentável, precisando por exemplo, cumprir com a capacidade de registro, monitoramento e estatística pesqueira em todo o litoral do País. Além disso, é indispensável que o setor pesqueiro esteja presente nas discussões sobre a gestão pesqueira nacional, juntamente com os órgãos gestores e com os pesquisadores da área.
 
É necessário que haja uma organização do setor pesqueiro, inovação nas tecnologias utilizadas, capacitação dos pescadores com informações cada vez mais claras e disponíveis e campanhas que incentivem o consumo de pescado no Brasil, que apesar de ser um País com grande capacidade de produção, ainda consome bem menos do que a média mundial. 
 
 
Créditos da imagem: Pixabay

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Sobre Luana Arruda Sêga
 
  • Assessora Técnica do Coletivo Nacional de Pesca e Aquicultura (Conepe)
 
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