O óleo nas praias do Nordeste e seus impactos nos restaurantes
Food Service

O óleo nas praias do Nordeste e seus impactos nos restaurantes

Vendas caíram vertiginosamente para os pescadores e também para muitos restaurantes locais

Alberto Lyra - 26 de novembro de 2019

O litoral nordestino oferece cerca de 3 mil quilômetros de belas praias e diversidade natural. Reconhecida como uma das mais bonitas do mundo, a costa do Nordeste também é um importante produtor de pescado e frutos do mar. Em agosto, no entanto, o cenário paradisíaco foi alterado por um grande derramamento de óleo que afetou a vida marinha e também dos moradores.
 
Passados quase três meses da aparição das primeiras manchas encontradas em Conde, na Paraíba, o número de localidades atingidas pelo óleo chegou a mais de 700 neste fim de novembro, segundo balanço divulgado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ao menos 117 municípios foram afetados, dos quais 112 no Nordeste.
 
O petróleo impactou não só a cor das águas e praias, como virou de cabeça para baixo a vida dos moradores das regiões atingidas. Pesquisadores encontraram centenas de animais cobertos de óleo, incluindo tartarugas marinhas, aves, peixes e mariscos. O anúncio dessas descobertas assustou muita gente que suspendeu imediatamente o consumo de pescado e frutos do mar. As vendas caíram vertiginosamente para os pescadores e também para muitos restaurantes locais. Só em Salvador, o preço do pescado caiu 25% devido à baixa demanda.
 
Para tentar reverter esse cenário, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) solicitou uma análise do Laboratório de Estudos Marinhos e Ambientais da PUC/RJ. De acordo com os resultados divulgados, os exames feitos em amostras de pescado mostram que o produto está próprio para o consumo humano. Foram analisados os níveis de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA), indicadores para contaminação por derivados de petróleo. Os resultados revelam níveis baixos dos HPAs em peixes e lagostas, não representando riscos para o consumo humano.
 
As amostras foram coletadas em estabelecimentos registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF), em estados da Bahia, do Ceará, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. A informação chega pouco depois do próprio Mapa ter proibido a pesca local, alguns dias antes de liberá-la novamente. Os dados cruzados e, muitas vezes, desconexos, não têm ajudado a tranquilizar a população e a economia local segue em derrocada. 
 
Enquanto ainda se desenrolam estudos e confirmações, a sugestão para os restaurantes da região para atestar a boa qualidade dos peixes congelados e trazer segurança aos consumidores é conferir a data da pesca. Se for anterior ao início de setembro, há pouco risco de contaminação, já que foi antes do vazamento. As empresas fiscalizadas, incluindo aqui a indústria e os distribuidores, também aumentaram os cuidados com a inspeção primária, pela qual são responsáveis. 
 
Já para os estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro, o impacto deve ser bem menor, senão nulo. Nessas localidades, a maioria do pescado utilizado vêm do Sul e Sudeste do País, principalmente de Santa Catarina, onde está o maior porto pesqueiro nacional, o de Itajaí. Boa parte vem também de Rio Grande do Sul, além de outras espécies serem provenientes do Litoral de São Paulo, do Rio e do Espírito Santo, de áreas ainda não afetadas.
 
É inegável que o derramamento de óleo vai ter impactos em longo prazo nas regiões atingidas e, consequentemente, em todo o País. Principalmente quando se soma à tragédia ambiental os problemas já enfrentados pelo setor com o diferimento do ICMS do pescado, especialmente em São Paulo, e a falta de salmão, causada pelas recentes manifestações no Chile, que responde por 25% da produção mundial.
 
Assim, para muitos restaurantes do litoral nordestino cabe montar novas estratégias e até mesmo se reinventar, ainda que temporariamente, substituindo o pescado das receitas por outras proteínas regionais, tão típicas e saborosas, para reconquistar os consumidores. Enquanto isso, na esfera política, entidades como a ANR vão seguir acompanhando os estudos de confiabilidade dos pescado e frutos do mar, cobrando posicionamento dos governos para garantir que se restabeleça, o mais breve possível, a calmaria e a tranquilidade no Nordeste brasileiro.
 
 
 
Créditos da imagem: Janosch/Pixabay

ANR, food service, Mapa, óleo no Nordeste, pescado

Sobre Alberto Lyra
 
  • Diretor executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR)
 
publicidade 980x90 bares
 

Notícias do Pescado

 

 

 
SeafoodBrasil 2019(c) todos os direitos reservados. Desenvolvido por BR3