Produtores esperam boas vendas de pescado para a Semana Santa
Comercialização

Produtores esperam boas vendas de pescado para a Semana Santa

Na mesma perspectiva, pescadores também aguardam que a Semana Santa de 2022 seja de comemoração

31 de março de 2022

A Quaresma e a Semana Santa são tradicionalmente um período de incremento no consumo de pescado pelos brasileiros, refletindo-se também no aumento da produção e comercialização em todo o País. Para este ano, em um cenário menos alarmante após dois anos de pandemia da Covid-19, os produtores têm grandes expectativas de que o volume de venda supere o do ano passado.
 
"Os preços para o produtor continuam abaixo do esperado, mas o mercado está comercializando um volume maior do que observado no período anterior [em 2021] ao início da Quaresma, seja tilápia ou peixes nativos”, falou Francisco Medeiros, presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). 
 
Conforme ele, a perda do poder aquisitivo da população tem impactado diretamente na decisão de compra da proteína, entretanto as expectativas continuam otimistas para a Semana Santa de 2022. “ O resultado do volume de venda é positivo, porém abaixo do esperado para esse período. Varia de região para região, mas acreditamos em torno de 20% a 30%”.
 
Para Heber Marçal, gerente comercial da GeneSeas, os fatores de impacto para as vendas deste ano serão a inflação, responsável pela redução do ticket-médio do consumidor, e a flexibilização das medidas contra a Covid-19, que causou alteração no formato de consumo dos brasileiros. Segundo ele, em 2020 e 2021, houve uma grande migração das vendas para o autosserviço, porém com o avanço da vacinação, as vendas in loco foram retomadas, principalmente em restaurantes.
 
Conforme Heber, a GeneSeas irá superar os resultados do ano passado, em que houve crescimento por volta de 30% com a expansão da área de atuação do grupo. Segundo ele, são esperados resultados elevados em ações de ativação e conversão em vendas, ainda que todo o setor esteja enfrentando dificuldades por conta do conflito entre Rússia e Ucrânia, grandes exportadores de grãos para produção da ração da tilápia.
 
Com este cenário, a grande aposta do grupo é o camarão. Ainda que a empresa continue incentivando o consumo de tilápia por ser um produto saudável, prático e com grande potencial de vendas de acordo com a sazonalidade, as estratégias de marketing serão concentradas em sua marca DellMare, de camarões e outros frutos do mar. O grupo quer mostrar que o consumo de pescado pode ir além do bacalhau.
 
Entretanto, ainda que a data traga boas expectativas, o presidente de Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, destaca que o setor de camarão marinho vive uma “perversa e irreal política” de preços baixos praticados pela cadeia de intermediação, sendo atualmente, conforme ele, em média, R$16,00 pagos ao produtor no kg de camarão de 10 gramas.
 
“Na verdade, a premência no retorno sistemático das exportações será fundamental para a regulação dos preços praticados pela cadeia de intermediação e pelo próprio mercado institucional brasileiro, que se aproveita da falta de apoios financeiros ao setor carcinicultor, para ditar preços incompatíveis com a produção de um produto nobre e de elevada qualidade sensorial e nutricional”, pontua.
 
“Lamentavelmente, na próxima Semana Santa, o setor carcinicultor amargará sérios problemas de preços baixos, para as vendas e escoamento de suas produções, como aliás, assistimos a problemas semelhantes em 2020 e 2021”, ressalta Rocha.
 
Por isso, para ele, as expectativas são no sentido dos produtores dialogarem mais entre si. “Entenderem que a solução para esse problema passa única e prioritariamente pela organização setorial: notadamente na regularização ambiental, captação de investimentos, processamento da produção e retorno das exportações”, completa.
 
Pesca também tem boas projeções
 
Já também com projeções positivas, os pescadores de Santa Catarina aguardam que a Semana Santa de 2022 seja de comemoração. Jorge Neves, presidente do Sindicato de Armadores e Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi) reforça que tradicionalmente o período que antecede à Páscoa sempre representou um incremento no consumo de peixe. Mas, para este ano, também é esperado um aumento ainda maior para o pescado oriundo da pesca. 
 
Para ele, o que sustenta as projeções é o fato da comercialização de pescado ter aumentado em 2021 e a demanda por alimentos saudáveis também ter saltado. 
 
“Como a pesca extrativista é algo extremamente dinâmico e que depende de uma série de condicionantes ambientais, não é possível prever um quantitativo exato do que deve ser capturado para este período. Porém, com base no que mencionei, e levando em conta que o nosso produto é saudável, tem um preço competitivo e de grande qualidade, nossa expectativa para a Semana Santa é a melhor possível”, finaliza Neves.
 
Matéria atualizada com a declaração de Itamar Rocha em 31/03/2022 às 16h32.
 
 
Créditos: Pixabay

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