Entidades alertam que nova regra de importação pode encarecer pescado
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Entidades alertam que nova regra de importação pode encarecer pescado

Problema está retendo caminhões em pontos e atrasando o abastecimento de mercadorias no Brasil

05 de outubro de 2021

Como se o preço dos alimentos já não estivesse muito caro, associações do setor queixam-se de que uma alteração recente nas regras de inspeção de alimentos importados de origem animal tem provocado uma confusão nas fronteiras. Caso não haja uma melhora na situação, a perspectiva é de uma nova pressão sobre os preços. 
 
O problema está retendo caminhões em pontos e atrasando o abastecimento de mercadorias no Brasil. Os produtos importados mais perecíveis, como o pescado congelado, como salmão e merluza, estão entre as principais preocupações.
 
Conforme destaca a Folha, as mudanças nas regras em questão entraram em vigor no dia 18 de agosto. Com isso, equipes da Vigiagro (Vigilância Agropecuária Internacional), ligada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), passaram a fazer tanto a fiscalização documental quanto a reinspeção das cargas de alimentos de origem animal nas áreas de fronteira. Antes da alteração, o órgão realizava apenas a primeira etapa da fiscalização. 
 
O problema, na visão das entidades, é o número insuficiente de fiscais para dar conta do trabalho. Assim, há relatos de caminhões que aguardam cerca de 30 dias para atravessar áreas de fronteira, comenta Christiano Lobo, diretor-executivo da 
Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca). 
 
Lobo conta que a situação mais preocupante no momento está nos municípios gaúchos de São Borja e Uruguaiana. Pela região, são transportadas mercadorias vindas de Argentina, Chile e Uruguai. “O ministério [Mapa] visava um ganho de tempo ao transferir para as fronteiras todo o processo de reinspeção, mas hoje vemos caminhões retidos. Isso gera desabastecimento. Lutamos para que a proteína animal fique mais barata, e não mais cara", falou.
 
Ele lembra que quase todo o salmão consumido pelo Brasil vem do Chile. Com a demora nas fronteiras, os custos de transporte ficam mais elevados para a indústria, pressionando os preços até o consumidor final, aponta Lobo. "Tem caminhão com atraso de 30 dias. Todos estão ficando de cabelo em pé", completa.
 
A diretora-executiva da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), Thamires Quinhões, também aponta uma lentidão maior nos processos após agosto, além de uma ameaça para os preços. “Passamos a ter mais relatos de lentidão, de um processo mais moroso para ser finalizado”, diz.
 
Já o Mapa, afirma que “alterou em agosto o processo de importação de produtos da área animal com o objetivo de reduzir o custo com deslocamento de servidores e agilizar a internalização de produtos, reduzindo assim o custo para o setor privado”.
 
“Após perceber atrasos nos processos por causa das mudanças, o Mapa acionou um plano de contingência, priorizando processos de animais vivos e pescado fresco. Também foi feita uma mudança no sistema, priorizando também o modal rodoviário, que estava sendo afetado”, diz o texto.
 
A pasta indica que a demora de mais de dois dias em áreas de fronteira pode ocorrer por diferentes razões. Entre elas, estão “problemas na documentação” das cargas e “questões relacionadas à falta de pessoal suficiente para realizar a inspeção física e à retenção da mercadoria para aguardar análise laboratorial”.
 
Créditos: 

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