Resiliência e otimismo: as palavras de ordem em 2025
Por Júlio César Antônio, presidente da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes)
07 de janeiro de 2026
*Artigo escrito para o Anuário Seafood Brasil #60
O ano de 2024 consolidou a recuperação da cadeia de pescado no Brasil, com avanços significativos na produção, inovação e consumo, mesmo em um cenário global desafiador. Neste contexto, a aquicultura continuou sendo um pilar de crescimento, com destaque para tilápia, tambaqui e camarão, enquanto o pescado importado complementou a oferta, atendendo à demanda por diversidade. Apesar das incertezas no mercado internacional e das discussões sobre a reforma tributária, o setor demonstrou resiliência e mantém uma perspectiva otimista para 2025, impulsionada por estratégias e esforços coordenados da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes).
Porém, a volatilidade do dólar em 2024 impactou diretamente a cadeia de pescado, especialmente no que diz respeito às importações, que representam uma parte significativa do portfólio de associados da Abrapes. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, a projeção para a cotação do dólar ao final de 2025 é de R$ 5,60, refletindo um cenário de relativa estabilidade cambial, apesar das tensões comerciais globais. Logo, essa estabilidade é crucial para o setor, que depende de insumos e produtos importados para atender à demanda por diversidade, como salmão e bacalhau, que não são produzidos localmente devido a condições geográficas.
A valorização do dólar em 2024, que chegou a picos de R$ 6,10 em alguns momentos, segundo analistas do BTG Pactual, elevou os custos de importação, desafiando a competitividade do setor. No entanto, a resposta foi estratégica: empresas adotaram práticas como diversificação de fornecedores e precificação dinâmica para mitigar os impactos. Além disso, o fortalecimento do consumo interno, que atingiu 10 kg per capita em 2024, ajudou a equilibrar as oscilações do mercado internacional, mantendo a cadeia de pescado resiliente. O otimismo para 2025 é sustentado pela expectativa de um ambiente cambial mais equilibrado e pela busca de novos mercados, como Ásia e União Europeia, para diversificar as importações e exportações.
A reforma tributária, ainda em fase de consolidação, permanece no centro das atenções da Abrapes. Neste sentido, a associação tem trabalhado incansavelmente para garantir que o pescado, tanto nacional quanto importado, seja mantido na cesta básica, isento de tributação. Essa isenção é essencial para preservar a competitividade do setor frente a outras proteínas e incentivar o consumo, que alcançou 10 kg per capita em 2024, com perspectivas de crescimento até 2030.
Embora a reforma traga incertezas, como possíveis ajustes na tributação de insumos importados, e uma lista de exceção de pescado na cesta básica, o setor mantém uma visão positiva. A interlocução com parlamentares e entidades da cadeia de pescado tem sido fundamental para assegurar que as mudanças favoreçam o mercado interno e a competitividade internacional. A regulamentação da Lei do Autocontrole também é uma oportunidade, prometendo maior eficiência na fiscalização e redução de custos operacionais.
O consumo de pescado no Brasil segue em ascensão, impulsionado por inovações como novos cortes, embalagens sustentáveis e a valorização da proteína como uma opção saudável. A gastronomia oriental, em particular, tem integrado cada vez mais o pescado nacional, como a tilápia e atum, ao lado de espécies importadas, demonstrando a sinergia entre os produtos. Essa complementaridade é um diferencial estratégico, permitindo que o setor atenda a consumidores que buscam diversidade de sabores e texturas.
Por outro lado, a aquicultura segue como motor de crescimento, com projeções otimistas para a expansão da produção e do consumo per capita. A adesão de empresas ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) tem facilitado a certificação e a comercialização, especialmente para pequenas e médias empresas, enquanto a Lei do Autocontrole promete modernizar a fiscalização, equilibrando segurança e eficiência.

Este texto faz parte da série de artigos publicados no Anuário Seafood Brasil #60. Para ler este e outros artigos na íntegra presentes nesta edição, clique aqui.
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Créditos imagem: Divulgação/Abrapes
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