Noruega e Brasil debatem P&D no mercado de aquicultura
Aquicultura

Noruega e Brasil debatem P&D no mercado de aquicultura

Webinar fez parte da programação da expedição norueguesa One Ocean

25 de fevereiro de 2022

O Webinar “Norwegian Brazilian Aquaculture Summit”, evento anual tradicional organizado, Innovation Norway, que tem como foco a promoção de empresas norueguesas de tecnologia no setor de aquicultura, foi realizado nesta quinta-feira (5). O encontro híbrido, que aconteceu no Rio de Janeiro, mostrou como a Pesquisa & Desenvolvimento pode abrir oportunidades de negócios no mercado de aquicultura. 
 
Entre os nomes de destaque da piscicultura brasileira, estavam no evento a chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Danielle de Bem, o pesquisador Manoel Pedroza, Cintia Nakayama, da Aquabio e docente da UFMG, o presidente Executivo da PeixeBR, Francisco Medeiros, além do secretário de Aquicultura, Pecuária e Abastecimento, Jorge Seif Jr.
 
 Alimentação sustentável a partir da aquicultura
 
O primeiro painel trouxe os desafios e oportunidades para a produção de alimentação sustentável a partir da aquicultura. Bente Torstensen, da norueguesa Nofima, alertou sobre uma pesquisa da instituição que aponta a aquicultura contribuindo de forma significativa para a produção de gases de efeito estufa. "Concorda-se de forma global que os nossos sistema alimentares devem mudar ao mesmo tempo que isso acontece em um mundo onde a segurança alimentar é um desafio”, falou.
 
Danielle de Bem Luiz lembrou que todo planejamento estratégico da Embrapa é baseado nos princípios de sustentabilidade. “O nosso planejamento estratégico alcança 131 metas das 169 das Agenda 2030 da ONU. Esse desenvolvimento sustentável e almejado precisa ser realizado envolvendo diferentes agentes”, completa . 
 
Entre os principais resultados recentes da instituição, Bem Luiz destacou o drawback, estudo feito para facilitar a isenção de impostos de produtos a serem exportados, realizado em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR).
 
As ações agropecuárias para uma agricultura de baixo carbono também foram citadas pela diretora, assim como as ações de pesca artesanal em Estados da região Norte e o entreposto móvel para processamento itinerante de pescado.
 
Oportunidades e desafios no mercado nacional
 
Ao discutir as Oportunidades e desafios brasileiros do setor de aquicultura, Francisco Medeiros, presidente executivo da PeixeBR, ressaltou que o marco regulatório ambiental é o principal desafio que os brasileiros vão enfrentar até o final da década para consumirem pescado dentro ou bastante próximo da média per capita mundial. “Especificamente, a maior parte dos produtores e posso falar a nível Brasil, ainda não tem o seu licenciamento ambiental”, falou.
 
Conforme ele, há impacto no sistema financeiro nacional que financia a produção no Brasil e tradicionalmente do agronegócio, porque só faz a liberação de recursos para Estados e para produtores que têm o licenciamento.
 
Outro grande desafio lembrado por Medeiros é a industrialização. “Para cada tonelada produzida, nós precisamos de investimentos altos na produção de ração, na produção de outros insumos aditivos e principalmente em plantas de processamento”, completa.
 
A acessibilidade do pescado brasileiro ao consumidor interno também foi colocada entre os desafios pelo pesquisador da Embrapa, Manoel Pedroza. “Será que se a gente dobrar a produção de pescado no Brasil esse aumento na demanda  vai ser abastecido pela produção interna ou vai continuar sendo abastecido pela importação?”, refletiu o pesquisador. Conforme Pedroza, é importante pensar na demanda, mas também em pescado com preços acessíveis.
 
P&D e oportunidades de negócios 
 
No painel que debateu como a P&D pode desbloquear oportunidades de negócios no setor de aquicultura, Elisa Ravagnan, da NORCE, e coordenadora do Projeto de pesquisa Astral, destacou que, apesar das diferenças, os desafios na atividade do Brasil e Noruega são semelhantes. 
 
“Nós lidamos com doenças e estamos tentando fazer com que a aquicultura seja sustentável, tanto na produção de ração como  na produção direita. Estamos tentando trabalhar com as indústrias e estamos trabalhando com a sociedada para a sustentabilidade alimentar da aquicultura com o acesso às licenças para operar e a consciência dos consumidores”, falou.
 
Ravagnan também ressaltou a importância da digitalização na aquicultura. “Não só na criação de novos hardwares ou soluções técnicas, mas também de novos sensores para melhorar o monitoramento da produção e dos esforços, assim como para análise dos dados, e, claro, para automatização da indústria”, destaca.
 
Por fim, lembrou o papel crucial das parcerias. “A parceria definitivamente é o que as nossas sociedades precisam. Diria que em primeiro lugar, temos que pensar na transferência de conhecimento. A gente não tem como viver em um mundo real sem estarmos juntos e compartilhando conhecimento. Temos que oferecer a solução para os desafios impostos à aquicultura porque se trabalharmos juntos certamente chegaremos onde queremos mais rapidamente”, finaliza.
 
Cintia Nakayama, presidente da Aquabio, segue o pensamento de sua colega de painel. Para ela, mesmo com tecnologias e conhecimentos diferentes, é possível discutir com outros países para uma construção conjunta e avançarmos na atividade. 
 
“Entendo que cada local acaba tendo as suas particularidades e acredito que os pontos podem convergir. É sentar e alinhar. Vale entender que não é pegar uma tecnologia [de outro país] e implantar aqui [no Brasil], isso já ficou bem claro na fala de todo mundo, mas é [utilizar] o que a gente já tem de desenvolvido e que essa troca pode ajudar”, refletiu.
 
Pensando no Brasil, Nakayama acredita que as atividades podem dar saltos quando unem suas forças. “Então, em vez de um pesquisador isolado, temos dois ou três. A ciência mostra que quanto mais a gente tem um foco em comum, mais podemos crescer juntos. É o diferencial”, completa.
 
One Ocean
 
O webinar fez parte da programação da expedição norueguesa One Ocean, que ainda promoveu durante na tarde desta quinta-feira, o seminário Green Technology for Sustainable Oceans (Tecnologia Verde para Oceanos Sustentáveis), realizado pelo Consulado Geral no Rio de Janeiro. O evento também contou com a presença de representantes de empresas e autoridades norueguesas e brasileiras
 
A Noruega quer compartilhar esta forte tradição e fortalecer a agenda dos oceanos na relação bilateral com o Brasil. Há quatro anos, a Noruega lançou a iniciativa do High Level Panel para economia sustentável dos oceanos e adoraríamos dar as boas vindas a entrada do Brasil à iniciativa. Nós acreditamos que o país é um parceiro estratégico para o desenvolvimento de oceanos sustentáveis”, afirmou o Embaixador da Noruega no Brasil, Odd-Magne, durante a abertura do evento.
 
A viagem ao redor do mundo promovida pela Statsraad Lehmkuhl Foundation em parceria com o governo norueguês, universidades, cientistas e empresas acontece no veleiro  Statsraad Lehmkuhl, um barco-escola considerado o mais sustentável da sua categoria. Como parte da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), a expedição integra ciência, educação e informação, trazendo um importante alerta sobre o impacto das mudanças globais no oceano.
 
Créditos: Vitor Marigo/Consulado Geral da Noruega
 

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